- Pela Redação
- 29/05/2023
O cantor Nattan se posiciona sobre os impactos gerados pelo documentário "Tempo Para Amar", protagonizado por sua companheira Rafa Kalimann, e faz uma profunda reflexão acerca dos obstáculos enfrentados pelo casal durante a chegada de Zuza, sua filha primogênita. Em declarações ao programa Quem, o artista expõe publicamente as complexidades vivenciadas na transição para a vida de pai, reconhece inconsistências nas suas atitudes durante os primeiros meses da bebê e valida que o projeto apresenta situações vividas por grande parte das famílias brasileiras.
Ao abordar o trabalho audiovisual, o músico salienta que, embora o foco narrativo recaia sobre a experiência de Rafaella, sua participação é inescapável uma vez que integra o trajeto retratado. "O documentário é sobre a Rafaella, mas eu, por ser pai, estou ali o tempo inteiro ao redor dessa história. Ela quis mostrar para as pessoas o que 90% das famílias passam: uma maternidade real. Existe um momento em que a mulher se olha no espelho e não se reconhece. Existe um momento em que ela vai amamentar e pensa: 'Meu Deus, será que é assim? Meu peito está doendo muito. Será que é desse jeito mesmo?'. Principalmente sendo mãe de primeira viagem", destaca.
O artista revela que também atravessou um processo intenso de aprendizado após o nascimento da pequena Zuza. Conforme relata, a carência de referências paternas potencializou esse desafio. "Houve momentos em que eu estava aprendendo, estava perdido. E muitos pais passam por isso. Às vezes, essas histórias não são contadas. Eu não tive referência paterna, não tinha alguém para ligar e perguntar: 'Pai, é assim mesmo?'. Não tive isso", comenta o músico.
A inexistência de uma figura paternal moldou sua caminhada existencial. Criado por sua mãe e avô, Nattan conheceu somente em 2021 que seu genitor biológico desconhecia sua existência. Para o instrumentista, as situações difíceis que enfrentou ao decorrer de sua vida colaboraram para sua evolução pessoal e afetiva. "Tudo bem passar por algumas pedras no caminho. Você se torna uma pessoa melhor e dá mais um passo para frente. É assim que acontece com várias famílias. Existem vários desafios pelos quais você precisa passar para evoluir para uma próxima etapa. Os casais passam por isso. E a Rafa tentou mostrar tudo de uma maneira muito real", assinala.
No decorrer da entrevista, Nattan responde a interpretações realizadas pelo público em relação aos fragmentos apresentados no projeto. Ele esclare que a percepção de isolamento compartilhada por Rafaella não correspondia necessariamente a uma falta de presença, mas se conectava ao momento específico vivido pelo casal naquele contexto. "Às vezes, as pessoas distorcem um pouco o que ela quis dizer. Houve um momento em que ela falou que se sentia muito sozinha. Às vezes, mesmo eu estando em casa, ela ainda se sentia só. Eu precisava sair para fazer shows e, quando voltava, ainda estava muito conectado àquela rotina. Chegava cansado, dormia, e ela já estava ali dentro de casa", explica.
A agenda agitada de apresentações, na perspectiva do artista, gerou empecilhos para uma conexão mais profunda nos primeiros meses seguintes ao nascimento de Zuza. "Imagina ela passar uma semana inteira em casa. Eu chegava [de shows] às oito da manhã, morto de cansaço, e precisava dormir. Depois acordava, passava um tempo com ela e, às vezes, tinha que viajar de novo. Ela estava falando desses momentos. E também de situações em que eu queria estar mais próximo, mas não conseguia entender o que ela estava tentando me dizer", ressalta.
Ao revisitar aquele período temporal, o cantor confessa que teria adotado estratégias distintas para acompanhar sua consorte. "Eu também fui ao documentário para dizer: 'Gente, eu passei por isso aqui. Sei que hoje não é mais assim'. Estou dando meu relato como pai de primeira viagem, como alguém que está construindo uma família, que é ser humano e que também vai errar. Eu poderia, nos momentos em que estava em casa, ter estado mais próximo da minha mulher. Poderia ter ido ao cinema com ela, ficado abraçado, tentado distraí-la ou chamar a atenção dela de outra forma", sustenta.
O instrumento também manifestou que a vivência lhe proporcionou conhecimentos significativos e que modificaria inúmeras condutas caso revivesse a situação. "Hoje, se eu tivesse a oportunidade de ter outro filho, faria muita coisa diferente. Estou dando o meu relato como alguém que passou pela paternidade sem referências, que teve acertos e erros, e tentando ajudar outros pais a não cometerem os mesmos erros. Mas fui mal interpretado, como se eu não pudesse errar também", lamenta.
Apesar das opiniões desfavoráveis obtidas nas plataformas virtuais, o músico ratificou seu respaldo a Rafa Kalimann e reconheceu a ressonância do trabalho entre genitoras que se veem refletidas nos relatos exibidos. "Eu torço muito pela Rafaella e estou ao lado dela. O documentário está muito especial. Acho que a mensagem que ela quer passar está chegando às mães que estão assistindo. Nós abrimos um pouco da nossa intimidade para mostrar isso de forma muito real. Para que as pessoas assistam e pensem: 'Eu também vivi isso'. Espero que quem assistir leve isso para o coração e como aprendizado", conclui esperançoso.
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