- Pela Redação
- 29/05/2023
O deputado estadual Wilson Santos (PSD) destacou a necessidade urgente de o Governo de Mato Grosso atuar como protagonista na industrialização das cadeias produtivas estaduais. Seu objetivo é transformar a matéria-prima em produtos de maior valor agregado, fortalecer a economia local e criar postos de trabalho com remuneração mais atrativa. A posição foi apresentada nesta segunda-feira (19), em audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), onde foi debatido o Projeto de Lei nº 692/2026, que trata da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 (PLDO 2027).

Durante a apresentação dos riscos fiscais, coordenada pelo secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, Wilson Santos expressou preocupação com a queda nos preços das commodities nos mercados internacionais e seus impactos nas receitas estaduais. Na avaliação do parlamentar, a concentração na exportação de produtos primários coloca a economia mato-grossense em situação de fragilidade diante das flutuações do cenário externo.
"Esse é um risco enorme que acompanha economias dependentes de produtos primários direcionados à exportação. Precisamos industrializar o estado e converter essa matéria-prima em algo mais seguro. Nenhuma região tem melhores condições que nós para fazer isso. Quem define o preço da soja são as bolsas de valores americanas e os mercados asiáticos. Nossa dependência desses agentes externos é muito elevada. A resposta é fortalecer a indústria local", afirmou Wilson Santos.
O parlamentar ressaltou a importância de avançar no processamento industrial de produtos originários de Mato Grosso, apontando o algodão e a indústria calçadista como setores com potencial elevado. Ele argumentou que o estado deve implementar uma estratégia clara de atração e desenvolvimento industrial, com objetivos mensuráveis para avaliar progressos nos próximos quatro anos.
Em seguida, o secretário Fábio Pimenta concordou com a relevância estratégica da industrialização, mencionando segmentos onde Mato Grosso já ampliou o beneficiamento industrial. "Compartilho dessa visão. É nosso principal desafio econômico e estratégico: expandir a indústria. Investimos em políticas e já conquistamos resultados significativos. No milho, passamos de uma situação onde 80% era exportado in natura para processar quase metade da produção internamente. O setor de proteína animal também avançou muito. Somos grande produtor de carne vermelha e frango. No biodiesel, somos referência nacional junto ao Rio Grande do Sul. Estamos trabalhando para diversificar ainda mais", explicou.
Wilson Santos, contudo, observou que a expansão da produção de etanol de milho no estado foi impulsionada principalmente pelo setor privado, especialmente por investidores estrangeiros. Ele cobrou maior envolvimento do poder público como articulador de uma política clara de industrialização.
"Minha provocação é que o estado precisa ser catalisador dessa transformação. Espero que o próximo governador, Otaviano, ao assumir em fevereiro de 2027, apresente seu plano para industrializar Mato Grosso como agente central. É necessário elaborar propostas atrativas para indústrias de origem nacional e internacional. Caso contrário, seguiremos presos ao modelo de latifúndio e monocultura, dependentes do mercado externo. Esse modelo persiste há cinco séculos, desde a época da cana, café e borracha. É hora de diversificar, gerar empregos qualificados com salários dignos. Mato Grosso sofre com concentração de renda extrema", declarou Wilson Santos.
Ao encerrar o debate, Fábio Pimenta destacou a relevância da colaboração entre o poder Executivo e Legislativo no aprimoramento de políticas públicas para o desenvolvimento econômico. O secretário também mencionou o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) como ferramenta essencial para estimular atividades industriais, gerar desenvolvimento e criar empregos. "Faremos os ajustes necessários, contando inclusive com o apoio da Assembleia Legislativa, como sempre foi parceira do Estado", concluiu.
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