- Pela Redação
- 29/05/2023
Redação
Quem acompanha os bastidores da política em Mato Grosso sabe que as urnas não apenas contam votos, mas também desenham e redefinem impérios políticos. O resultado das eleições consolida uma hegemonia incontestável: o ex-governador Mauro Mendes sobressaiu-se como o grande arquiteto e vitorioso absoluto do processo eleitoral, demonstrando um poder de transferência de votos e de articulação capaz de redesenhar completamente o tabuleiro estadual para os próximos anos.
Eleito senador com expressiva votação, Mendes operou uma verdadeira engenharia política ao "pegar pela mão" e arrastar consigo para a Alta Câmara o deputado federal José Medeiros, bolsonarista convicto.
Nessa dobradinha cirúrgica, o ex-governador não apenas garantiu sua vaga e a do aliado do PL, como desidratou a candidatura da deputada estadual Janaína Riva ao Senado, cuja eleição até então era tida como líquida e certa nos bastidores.
O cacife do agora senador eleito manifestou-se com igual força na disputa do Palácio Paiaguás. Foi o peso político e o empenho pessoal de Mendes que garantiram a acachapante vitória do governador Otaviano Pivetta, reeleito em primeiro turno com mais de 60% dos votos válidos.
Como se não bastasse a recondução do aliado ao Executivo, a força do grupo familiar e político do ex-governador assegurou a eleição de sua esposa, a ex-primeira-dama Virgínia Mendes, para a Câmara dos Deputados, ao lado da reeleição de seu afilhado político, o deputado federal Fábio Garcia.
Por outro lado, o mesmo braço forte que alçou aliados ao topo do poder também redefiniu o destino dos perdedores desta disputa. Ainda nos arranjos de bastidor, Mendes alijou de cena o senador Jayme Campos, seu correligionário no União Brasil, inviabilizando suas pretensões de disputar o governo e carimbando em definitivo a candidatura única do grupo sob Pivetta.
O expurgo político atingiu em cheio figuras tradicionais na Assembleia Legislativa. Ficaram pelo caminho e sem mandato parlamentares da base governista de forte presença, como Paulo Araújo, Eduardo Botelho e Elizeu Nascimento, além do duro golpe amargado por nomes tarimbados do cenário estadual, como Júlio Campos e Juca do Guaraná, que não alcançaram a reeleição.
As urnas confirmam a máxima do poder em Mato Grosso: o comando do estado passa, indiscutivelmente, pelas mãos e pelas escolhas de Mauro Mendes.
Flávio Garcia é jornalista em Mato Grosso, atualmente assessor parlamentar na Assembleia Legislativa
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