O eleitor devorado em Mato Grosso/ Por Sérgio Cintra

Opinião



Redação 

O pensador uruguaio, Eduardo Galeano (1940 – 2015), em “Las Palabras Andantes” (1994) instiga-nos a pensar sobre os processos eleitorais “democráticos”: “A liberdade de eleições permite que você escolha o molho com o qual será devorado. (tradução livre)”, ou seja, é uma crítica à cultura latino-americana de reproduzir condições estruturais e alienantes pelas quais passa o eleitorado das denominadas democracias burguesas. E Mato Grosso não foge à regra, infelizmente.

A população mato-grossense, segundo o IBGE, é de 3.893.659 pessoas, das quais 2,54 milhões de eleitores estão aptos a votar no estado; inclusive, aproximadamente, 51% são mulheres; outro dado importante para a composição de cenários político-eleitorais são os níveis de escolaridade e quantidade de pessoas assistidas por programas de politicas públicas como CadÚnico: no quesito escolaridade, 53,23% possuem o ensino fundamental incompleto; 15% o fundamental completo; 30% terminaram o ensino médio e apenas 8% têm nível superior e, aproximadamente, 2% não são alfabetizados. Os inscritos no CadÚnico somam 1,1 milhão de pessoas, representando, algo em torno de 44% do eleitorado mato-grossense. Além desses indicadores, outro essencial para se construir discursos e propostas é a distribuição do eleitorado por faixa etária: o nosso eleitorado, em números aproximados, está assim distribuído: com 16 e 17 anos, portanto, voto facultativo, são 65 mil eleitores; entre 18 e 24 anos, mais 380 mil aptos para ir às urnas; entre 25 e 34 anos, outros 520 mil; entre 35 e 44 anos, 540 mil; entre 45 e 59 anos, mais 670 mil, entre 60 e 69 anos, uns 260 mil e com mais de 70 anos, algo próximo de 330 mil eleitores que não são obrigados a votar.

Em 2022, apesar na maioria do eleitorado estar, de alguma forma, ligada a algum programa de redistribuição de renda e de assistência social, o Bolsonaro teve 65,08% dos votos e Lula apenas 34,92%. Quais fatores poderiam explicar esse fenômeno? São fatores econômicos (agronegócio), culturais (evangélicos, católicos conservadores e pautas que privilegiam minorias) e ideológicos (a mistificação Direita x Esquerda). Assim, o medo dos menos favorecidos “ameaçados” pelo capital, a difusão de Fake News e o “comunismo” falam mais alto que programas sociais que promovem inclusões. Não foi ao léu que Darcy Ribeiro vaticinou: “A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.” Projeto que continua a disseminar mentira, medo e ignorância entre os mais aviltados social e historicamente.

Sérgio Cintra é professor de Linguagens e está servidor do TCE-MT.

sergiocintraprof@gmail.com.br

 

 

 

 

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