- Pela Redação
- 29/05/2023
MONICA BERGAMO
DA FOLHA DE S. PAULO
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a desconfiar de que foram gravados clandestinamente durante a sessão secreta realizada na última quinta-feira (12), que decidiu pela saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do processo envolvendo o Banco Master.
A suspeita surgiu após a divulgação, pelo site Poder360, de trechos literais e detalhados das falas dos magistrados durante a reunião fechada. Segundo relatos, o conteúdo publicado reproduz diálogos com precisão, o que levantou questionamentos internos sobre a origem das informações.
De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, magistrados chegaram a encaminhar a reportagem a Toffoli, apontando que a riqueza de detalhes indicaria a existência de uma gravação. O ministro negou qualquer registro ou vazamento. “Não gravei e não relatei nada para ninguém”, afirmou. Ele também levantou a hipótese de que algum servidor da área de informática poderia ter feito a gravação.
O episódio gerou forte desconforto entre os integrantes da Corte. Segundo ministros ouvidos, a situação é considerada sem precedentes e representa uma quebra de confiança inédita no ambiente interno do tribunal.
A reportagem do Poder360 descreve a reunião como marcada por “forte tom político” e por uma busca de autopreservação institucional. Diversos ministros tiveram falas reproduzidas de forma literal.
Gilmar Mendes teria afirmado que decisões anteriores de Toffoli contrariaram a Polícia Federal, sugerindo possível reação da corporação. Já Cármen Lúcia destacou a percepção negativa da população em relação ao Supremo, afirmando que era necessário pensar na institucionalidade, apesar de declarar confiança no colega.
Luiz Fux manifestou apoio direto a Toffoli, defendendo que sua palavra tem fé pública. Nunes Marques classificou o caso como “um nada jurídico” e criticou a possibilidade de submeter o Judiciário à influência de investigações policiais.
André Mendonça também minimizou os elementos apresentados no relatório da Polícia Federal, assim como Cristiano Zanin, que questionou o volume e o conteúdo das informações enviadas. Flávio Dino foi outro a criticar duramente o relatório, classificando-o como “lixo jurídico” e apontando que a crise tinha dimensão política.
O presidente da Corte, Edson Fachin, foi citado em trechos que indicam divergências quanto à condução do caso.
Apesar das manifestações majoritariamente favoráveis a Toffoli durante a reunião, o colegiado concluiu que o afastamento da relatoria seria a melhor solução para preservar a imagem institucional do STF.
Nos bastidores, a suspeita de gravação clandestina pode agravar o isolamento do ministro dentro da Corte, ampliando a tensão em um dos momentos mais delicados recentes do tribunal.
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