PL anuncia Marinho como candidato ao Senado enquanto decisão sobre Câmara permanece em aberto

Partido Liberal oficializa Rogério Marinho como pré-candidato à presidência do Senado, mas direção segue indecisa sobre candidatura à Câmara.



O Partido Liberal (PL) planeja formalizar o senador Rogério Marinho (PL-RN) como pré-candidato da legenda à presidência do Senado Federal. Conforme informações de parlamentares liberais ouvidos pela CNN, o anúncio deve ocorrer ainda nesta quarta-feira (4), logo após encontro com senadores da bancada marcado para as 11h.

Marinho, que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), consolidou sua indicação internamente durante meses sem enfrentar resistência de companheiros de partido.

Contudo, caso confirmado, o bloco de direita precisará buscar consenso, já que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém pretensões de rivalizar com Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que pleiteia a reeleição e conta, em tese, com respaldo do centrão e de aliados governistas. Colaboradores de Marinho reconhecem a necessidade de unir-se a Tereza para derrotar Alcolumbre, porém ninguém ainda cedeu formalmente sua pré-candidatura.

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Líderes do PL das duas Casas legislativas reuniram-se com o presidente partidário Valdemar da Costa Neto na noite de terça (3) para discutir articulações referentes aos comandos do Senado e da Câmara.

"Realizamos uma conversa entre lideranças para alinharmos inclusive o anúncio de lançamento e apoio total e irrestrito, todos unidos pela candidatura de Rogério Marinho. Vamos também construir isso em parceria com outros partidos", explicou o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ).

"Não podemos mais ter um presidente na Casa que tenha vínculos comprometedores, pois isso prejudica a independência e afeta a harmonia institucional, gerando uma relação de submissão entre Poderes. Refiro-me especificamente ao Poder Judiciário, particularmente ao STF", complementou Portinho em outro momento.

A estratégia interna do PL projeta atrair votos de senadores de oposição e centro para garantir maioria. Espera-se também uma possível articulação com Tereza Cristina, que mantém diálogo constante com Marinho.

A contagem precisa de votos e qual candidato sairia vencedor, porém, deve ser mais clara apenas no próximo ano, reconhecem os dirigentes.

Avalia-se que as movimentações foram antecipadas em relação ao calendário tradicional - normalmente ocorrem em dezembro e janeiro, com eleição interna no início de fevereiro - intensificadas pelas conversas em curso e pela polarização pós-eleições de outubro. O PL dispõe da maior bancada do Senado (28 senadores) e da Câmara (121 deputados federais).

Uma preocupação central manifestada por parlamentares presentes na reunião de terça é a impossibilidade de "decepcionar o eleitor". Para esses políticos, manter-se independente e coerente com as promessas de campanha é essencial, incluindo confrontar os atuais líderes do Congresso.

A definição do PL acerca da presidência da Câmara dos Deputados continua em suspenso. Projeta-se que um pronunciamento ocorra após novo encontro entre Valdemar da Costa Neto, lideranças e deputados eleitos da sigla, programado para a próxima quarta-feira (11).

Uma corrente defende composição com o presidente atual da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), visando preservar espaço e controle de comissões importantes. Outra ala advoga pelo lançamento de candidato próprio.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) integra aqueles que defendem uma candidatura independente para "preservar a identidade" da direita. "Existem prioridades bem maiores em discussão agora do que cargos em comissões ou espaços dentro da Câmara.", afirmou.

Potenciais nomes cotados para presidência da Câmara pelo PL incluem Sóstenes Cavalcante (RJ), Altineu Côrtes (RJ) e Luiz Philippe de Orléans e Bragança (SP).

"Temos certeza de que hoje o PL representa uma marca nacional e não abandonaremos esse prestígio sem obtermos retorno significativo para nossos eleitores, que estão observando atentamente aqueles responsáveis por nos tornarem a maior representação nas duas Casas", declarou Sóstenes, reafirmando que a escolha será feita com responsabilidade e ponderação, considerando a bancada eleita.

"Permanecer isolado inicialmente não constitui uma estratégia equivocada. Mas não sou eu quem decide; essa decisão não é pessoal da liderança, nem do PL, e certamente não é da oposição. Restam ainda três meses para essa eleição.", completou.

Conforme avaliação de Sóstenes, as projeções do PL indicam direito regimental ao comando de sete comissões permanentes da Câmara, proporcionalmente ao tamanho da representação. O comando efetivo dessas comissões, entretanto, dependerá dos blocos estruturados para a disputa presidencial e negociações posteriores.

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