- Pela Redação
- 29/05/2023
Uma investigação conduzida junto a mais de 39 mil empregadores distribuídos em 41 nações evidencia um cenário desafiador para o Brasil: oito entre dez empresas nacionais relatam obstáculos significativos ao recrutamento e preenchimento de posições abertas.
Os números divulgados pela ManpowerGroup indicam que o país supera a média internacional. Enquanto 80% dos empregadores brasileiros enfrentam entraves na seleção de candidatos, a média global se situa em 72%, confirmando a intensidade do problema no contexto nacional.
O quadro permanece praticamente imutável durante os últimos quatro anos: registrou-se 80% em 2023, 80% em 2024, 81% em 2025 e retornou para 80% em 2026. Esse padrão estável aponta para um desafio de natureza estrutural que permeia o mercado de trabalho brasileiro.
Na comparação internacional, o Brasil ocupa a oitava posição entre os países com maior dificuldade de contratação, ficando atrás de Eslováquia (87%), Grécia (84%), Japão (84%), Alemanha (83%), Índia (82%), Portugal (82%) e Irlanda (81%).
Em sentido oposto, China (60%), Polônia (57%) e Finlândia (48%) apresentam os menores índices de dificuldade no preenchimento de vagas.
A questão se agrava especialmente nas empresas de médio e grande porte, aquelas com 1 mil a 4,9 mil funcionários: 90% delas enfrentam obstáculos na contratação. Para negócios menores, com até dez colaboradores, o percentual reduz para 72%.
Sob perspectiva geográfica, São Paulo apresenta o maior desafio de escassez de profissionais, com 88% das organizações reportando dificuldades. Acompanham Minas Gerais (85%), Rio de Janeiro (80%) e a capital paulista conjuntamente com outras regiões, com 77%. O Paraná exibe o menor índice regional, de 74%.
A análise setorial revela disparidades importantes. Enquanto globalmente a maior carência concentra-se em Tecnologia da Informação (75%), o Brasil apresenta maior deficit em serviços profissionais, científicos e técnicos (85%).
Entre as competências técnicas de maior dificuldade para localização estão a engenharia de modelos e aplicações de inteligência artificial, alfabetização em IA e ciência de dados, atendimento ao cliente, além de especialidades em marketing e vendas.
No aspecto comportamental, as organizações priorizam profissionalismo e integridade profissional, capacidade comunicativa, colaboração e trabalho coletivo, flexibilidade frente a novos desafios, pensamento estratégico e resolução de adversidades, bem como competência digital.
Segundo Wilma Dal Col, responsável pela área de Recursos Humanos da ManpowerGroup, "a carência de talentos transcendeu a condição de fenômeno ocasional e se consolidou como elemento permanente na estrutura do mercado ocupacional brasileiro. Não representa uma variação transitória, mas uma realidade contínua que demanda das organizações uma transformação nas abordagens de captação, qualificação e manutenção de equipes".
Para mitigar esse cenário, 44% das organizações brasileiras têm alocado recursos em programas de atualização profissional e reconversão de competências.
Outras abordagens implementadas englobam a prospecção de novos segmentos de talentos (25%), maior abertura quanto a localização geográfica do trabalho (23%) e flexibilização dos períodos laborais (21%).
Também constam entre as medidas relevantes a elevação dos patamares remuneratórios (18%), investimentos em publicidade paga para divulgar oportunidades (15%), delegação de responsabilidades a terceiros (13%) e expansão na contratação temporária (12%).
A pesquisa entrevistou 39.063 empregadores em 41 nações, com 1.020 participações do Brasil. O trabalho de campo transcorreu entre 1º e 31 de outubro de 2025.
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