- Pela Redação
- 29/05/2023
A inauguração do primeiro segmento operacional da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo em Dom Aquino marca um dos maiores progressos infraestruturais de Mato Grosso nos últimos decênios. Muito mais que a entrega de uma infraestrutura, trata-se da concretização de um projeto de futuro alicerçado em planejamento estratégico, decisão política e dedicação ao progresso estadual.
O segmento inaugurado tem extensão aproximada de 162 quilômetros, estabelecendo a conexão entre Rondonópolis e o terminal intermodal situado em Dom Aquino. Esta é a primeira etapa de um empreendimento que, quando finalizado, alcançará cerca de 740 quilômetros de comprimento, integrando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, abrangendo 16 cidades e incluindo um ramal essencial para Cuiabá.
Os indicadores revelam a magnitude do projeto. A etapa inicial recebeu aporte de aproximadamente R$ 5 bilhões. O terminal possuirá capacidade de processar até 10 milhões de toneladas anuais de grãos, incrementando a competitividade do agronegócio mato-grossense e impulsionando a economia regional.
Contudo, há um aspecto fundamental dessa narrativa que requer atenção especial. Antecedendo à materialização da ferrovia, foi indispensável estabelecer os fundamentos jurídicos que viabilizassem sua realização. Este processo teve origem no interior da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Durante 2021, período em que presidi a Casa Legislativa estadual, apresentei e conduzi a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição que conferisse ao Estado capacidade de construir e operar a infraestrutura ferroviária, seja diretamente ou mediante concessões privadas. A iniciativa, de minha responsabilidade, recebeu adesão dos parlamentares e desimpediu o caminho para que Mato Grosso implementasse seu próprio modelo de expansão ferroviária.
Naquele contexto, reconhecíamos a necessidade de estabelecer circunstâncias favoráveis para que o Estado protagonizasse sua própria trajetória de desenvolvimento. A modificação constitucional providenciou segurança jurídica e disponibilizou instrumentos legais essenciais para converter em prática um objetivo histórico dos cidadãos mato-grossenses: expandir a malha ferroviária pelo interior, ligando a produção aos principais eixos logísticos nacionais.
Tenho consistentemente defendido que infraestrutura transcende mera mobilidade. Representa uma estratégia de progresso econômico e social. Uma rede ferroviária contemporânea minimiza despesas logísticas, potencializa a competitividade, atrai capital externo, produz postos de trabalho e abre perspectivas para inúmeras comunidades.
Mato Grosso ocupa posição de destaque na alimentação global e desempenha função determinante na economia do país. Para aprimorar continuamente de maneira responsável, necessita ampliar sua capacidade logística. A ferrovia corporifica precisamente essa perspectiva de progresso.
Sinto-me satisfeito em reconhecer que a Assembleia Legislativa contribuiu significativamente nesse processo transformador. O mecanismo que possibilitou a implantação da ferrovia originou-se no Parlamento estadual, fruto da colaboração entre poderes e da percepção de que o avanço demanda visão de longo alcance.
Presentemente, observando esse primeiro segmento iniciar suas operações, reafirmamos ter realizado a decisão apropriada. Porque a estrutura que impulsiona o desenvolvimento de Mato Grosso começou a ser construída dentro da Assembleia Legislativa.
*Eduardo Botelho é deputado estadual pelo MDB
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