- Pela Redação
- 29/05/2023
O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, serve como momento de reflexão sobre os perigos do tabagismo. Médicos e especialistas reforçam constantemente os riscos associados ao consumo de cigarros, incluindo doenças que se desenvolvem de maneira silenciosa, como os cânceres pulmonares e bucais. Dados do Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 11% dos brasileiros se identificam como fumantes ativos.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), essa malignidade está entre as mais prevalentes no país, caracterizando-se por elevada taxa de mortalidade, principalmente porque muitos diagnósticos ocorrem em fases mais avançadas da doença.
O patologista Carlos Aburad identifica um dos maiores desafios: a ausência de manifestações clínicas nos estágios iniciais. "Os cânceres em órgãos internos, particularmente o pulmão, não são perceptíveis visualmente e, sem sintomatologia, geralmente o paciente não busca assistência médica", explica. Inicialmente, os sinais podem ser discretos, como tosse persistente, dispneia e dor torácica. Conforme a progressão, podem intensificar-se, incluindo piora respiratória, hemoptise e emagrecimento involuntário.
O hábito tabagista é apontado como o principal fator de risco para malignidade pulmonar. Conforme o especialista, fumadores apresentam 30 vezes maior probabilidade de desenvolver a condição. "O cigarro contém acima de 70 substâncias oncogênicas. O tabaco é o agente causal principal, estando relacionado a aproximadamente 80% a 90% das ocorrências", destaca.
Mais de seis décadas vinculadas ao cigarro
Sidelcina Rodrigues Moreno, dona de casa, vivenciou de forma trágica as sequelas do tabagismo. Seu cônjuge faleceu aos 77 anos após diagnóstico de carcinoma pulmonar. O envolvimento dele com cigarros iniciou na puberdade, aos 13 anos, e nunca foi interrompido.
Foram mais de 60 anos fumando ininterruptamente. A confirmação diagnóstica ocorreu em julho. Meses posteriores, em fevereiro, o falecimento aconteceu. "Tudo ocorreu rapidamente e de forma torturante. Naquele curto período, a enfermidade o deixou profundamente enfraquecido. Submeteu-se a radioterapia e outras intervenções, porém enfrentava intensas dificuldades respiratórias e debilidade extrema", relata Sidelcina.
Ela descreve seu acompanhamento constante durante os últimos momentos. "Apesar do intervalo reduzido entre o diagnóstico e a perda, o sofrimento dele e de nossa família foi descomunal e nos marcou profundamente".
Riscos estendidos à cavidade bucal
Os danos provocados pelo tabaco ultrapassam a região pulmonar. O cigarro configura-se entre os principais agentes de risco para carcinoma bucal.
Arlindo Aburad, cirurgião-dentista e patologista bucal, doutor em Patologia Bucal pela USP, enumera sinais alarmantes. "Úlceras, nódulos ou tumefações que não cicatrizam além de 15 dias, bem como manchas avermelhadas ou esbranquiçadas intrabucais, necessitam avaliação profissional", orienta.
Segundo o especialista, indivíduos tabagistas apresentam de seis a 16 vezes maior risco de desenvolver malignidade bucal. Esse risco amplifica-se quando o consumo tabágico se associa ao álcool. Complementarmente, HPV, higiene bucal deficiente e ingestão inadequada de frutas e hortaliças também potencializam o desenvolvimento patológico.
A detecção precoce, contudo, altera significativamente o prognóstico e qualidade existencial. "Quando identificado nos primórdios, o carcinoma bucal pode ser controlado cirurgicamente de forma menos invasiva. Em fases posteriores, pode necessitar cirurgia, irradiação, medicação citotóxica, terapêuticas direcionadas e imunomoduladoras", explica Arlindo.
Em quadros severos, a enfermidade e suas terapêuticas ocasionam mastigação e deglutição dificultadas, alterações fonatórias, xerostomia e prejuízos estéticos e psicológicos.
A prevenção como caminho fundamental
Para ambos os profissionais, cessar o consumo tabágico constitui medida primordial para reduzir probabilidade de malignidades. Especificamente para carcinoma pulmonar, Carlos Aburad enfatiza a necessidade de evitar fumaça secundária, diminuir exposição poluente e utilizar dispositivos protetivos em ocupações com agentes oncogênicos.
Vigilância sintomatológica e monitoramento clínico, particularmente em populações vulneráveis, mostram-se essenciais. Para malignidade bucal, recomenda-se observar mudanças perduráveis e procurar avaliação profissional especializada.
"Profissionais sanitários devem disseminar conhecimento e mobilizar coletividades, especialmente concernente à importância da identificação precoce", destaca Arlindo.
Nesta data comemorativa, reitera-se o alerta: abandonar o cigarro significa não apenas reformular hábitos, mas implementar ação preventiva determinante contra enfermidades graves.
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