Pesquisa revela apoio majoritário à lei do feminicídio após polêmica com candidato

Levantamento mostra que 68% dos leitores defendem legislação específica contra crimes de gênero



Uma consulta realizada junto ao público do portal Gazeta Digital demonstrou consenso entre os participantes sobre a importância de manter e fortalecer a legislação que trata especificamente dos crimes motivados por discriminação de gênero. O resultado surge após repercussão de declarações de um postulante que questionou a validade de leis diferenciadas para este tipo de crime.

A consulta apresentava a seguinte questão aos participantes: "Candidatos voltaram a contestar a lei do feminicídio. Qual sua opinião sobre a legislação?"

Entre as respostas, 47% dos votantes concordaram que "A lei é essencial e as penas para crimes de gênero devem ser duras". Outros 21% selecionaram a alternativa "A punição é essencial, assim como o combate ao machismo".

Quando somadas, essas duas posições totalizaram 68% do total de votos, indicando respaldo popular ao desenvolvimento de políticas públicas e medidas legais voltadas especificamente para o combate à violência motivada por questões de gênero.

Na contramão, 32% dos respondentes argumentaram que a lei seria prescindível, fundamentando-se no fato de que o ordenamento penal vigente já contempla penalidades para homicídios independentemente do gênero da pessoa vitimada.

A polêmica intensificou-se após um dos candidatos à eleição manifestar sua posição contrária à existência de legislações diferenciadas entre homens e mulheres neste aspecto. Segundo ele, a criação de leis específicas para proteção de mulheres equivaleria a discriminação reversa, semelhante aos sistemas de cotas.

"Não tem que ter lei para homem e/ou mulher", afirmou o candidato, argumentando que homicídios envolvendo vítimas masculinas também deveriam receber a mesma atenção nas discussões públicas sobre segurança. Na sua avaliação, o debate sobre criminalidade deveria equilibrar-se entre os dois lados.

"Seja a mulher a matar o homem, porque também tem e tem muito desse crime. Eu não vejo dar tanta ênfase nisso também, como o inverso", complementou.

Essas manifestações ocorrem num contexto preocupante de violência letal contra mulheres em Mato Grosso. De acordo com estatísticas divulgadas, foram registrados 31 óbitos de mulheres entre janeiro e agosto do ano em curso. Simultaneamente, a Operação Mulher Segura expandiu suas atividades direcionadas ao combate da violência no âmbito doméstico.

Ao longo de 76 dias de funcionamento, a referida operação alcançou o número de 1.097 prisões de indivíduos do sexo masculino denunciados por práticas violentas contra mulheres. Do montante apreendido, 967 foram efetuadas em regime de flagrância e aproximadamente 130 basearam-se em ordens judiciais de prisão preventiva.

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