- Pela Redação
- 29/05/2023
Redação
O bloco “Agora Q Q Esse” foi o grande vencedor do Carnaval de Cuiabá 2026, conquistando o título de melhor bloco carnavalesco da capital. Com um enredo voltado às histórias dos antigos carnavais cuiabanos, entre as décadas de 1960 e 1970, o grupo superou outros sete concorrentes que desfilaram neste fim de semana. O bloco Boca Suja ficou em segundo lugar, e o Luxo Folia completou o pódio.
Entre as escolas de samba, a Payaguás levou a melhor e se sagrou bicampeã, após uma disputa acirrada com a Império de Angola. A apuração dos votos terminou na noite de domingo (8).
O desfile recebeu investimento de R$ 2,1 milhões, repassados pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), destinados às escolas, blocos, infraestrutura e às atrações musicais que animaram a Arena Pantanal. O evento contou com shows de Tiee, Banda Novo Som, DJ Detona, Rubynho, DJ Gui Antony, Grupo Puro Prazer, Matheuzinho, Jero Neto e Tomé Aí.
Memória e humor cuiabano no samba
O “Agora Q Q Esse” encantou o público ao homenagear os principais humoristas de Mato Grosso, com destaque para Liu Arruda, comediante, ator, músico, jornalista e professor cuiabano, considerado o artista mais completo da história do Estado. Falecido em 1999, Liu foi lembrado com uma ala que reproduzia seus personagens icônicos, como Comadre Nhara e Ramona.
O bloco também resgatou figuras folclóricas dos antigos carnavais, como o Padeiro português “Zé Pereira”, que chamava o povo às ruas, e Januário, representado pelos passistas com cornetas.
As alas infantis lembraram as matinês de antigamente, e as baianas desfilaram com trajes de chita, tecido tradicional e colorido que remete à cultura cuiabana. O grupo ainda apresentou a ala “Cuiabá de Antigamente”, com rei, rainha e mestre-salas, além das “brasileirinhas” e do clássico personagem Pierrot.
As fantasias seguiram as cores da agremiação, azul, branco e amarelo. O samba-enredo foi criado pela professora Auréa Santana e pelo compositor Gustavinho Oliveira, do Rio de Janeiro.
Payaguás celebra bicampeonato
Na disputa entre as escolas de samba, a Payaguás conquistou novamente o título com o enredo “Rota da Ancestralidade”, que retratou a trajetória do povo preto desde o Egito até Cuiabá. As alas desfilaram com alegorias que faziam referência às pirâmides e à terra negra do Egito.
A escola homenageou figuras históricas cuiabanas, como Mãe Preta, Maria Taquara e Mãe Bonifácia. No figurino de Maria Taquara, os componentes usaram um chapéu com um coração de um lado e uma trouxa de roupa do outro, representando a dualidade entre o trabalho e o amor.
Boca Suja comemora 30 anos de avenida
Nas arquibancadas, a torcida do Mixto Esporte Clube marcou presença em peso para apoiar o bloco Boca Suja, que completou 30 anos na avenida e ficou com o segundo lugar.
O presidente do bloco, Gabriel Augusto de Moraes, destacou o crescimento do Carnaval cuiabano. “A cada ano há um avanço. Estamos num processo de profissionalização e buscando capacitar também os jurados. Cuiabano entende de carnaval”, afirmou.
O grupo contou com cerca de 750 integrantes neste ano. Dos nove jurados escolhidos via edital, três são de Cuiabá e seis do Rio de Janeiro.
Investimento recorde e reestruturação
O presidente da Liga Independente dos Blocos e Escolas de Samba de Cuiabá, Celso Gonçalo Nazário, ressaltou a importância do apoio financeiro do Governo do Estado para revitalizar o carnaval.
“Graças ao Governo, conseguimos tirar o carnaval do papel há três anos e levá-lo para a Arena Pantanal, onde ganhou grande visibilidade”, comemorou.
O secretário-adjunto de Cultura, Jan Moura, lembrou que a regularização da Liga foi essencial para o repasse dos recursos. Segundo ele, o período atual marca uma fase de ascensão para o carnaval da capital.
Entre 2019 e 2025, o Governo de Mato Grosso destinou R$ 853,5 milhões à Cultura, incluindo editais, estruturação, cursos, bibliotecas, patrocínios e eventos culturais.
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