Renúncia de Peña enfraquece aliados de Trump na América Latina, avalia Planalto

Governo brasileiro monitora crise no Paraguai com cautela após saída do presidente Santiago Peña



O Palácio do Planalto interpreta a saída do presidente paraguaio Santiago Peña como mais um recuo da direita pró-Trump na região latino-americana. Segundo avaliações internas, a renúncia compromete o alinhamento de forças conservadoras no continente e gera preocupação sobre possíveis instabilidades no país vizinho.

Peña formalizou sua saída na quinta-feira (5) diante da crise que envolveu o Ueno Bank, instituição financeira da qual foi sócio até 2025. A situação agravou-se com a abertura de processo de impeachment, levando-o a deixar o cargo.

Durante sua administração, o presidente paraguaio manteve proximidade com Donald Trump e o mandatário argentino Javier Milei. Uma de suas principais ações foi a incorporação do Paraguai ao Escudo das Américas, mecanismo de segurança regional patrocinado pelo governo norte-americano e lançado em março.

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Brasília enxerga a renúncia como parte de um padrão desfavorável aos apoiadores do presidente americano. O cenário inclui a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil e a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que renovaram completamente a Câmara e aproximadamente um terço do Senado.

Itamaraty vê crise no Paraguai com preocupação e trata assunto como interno

O Itamaraty acompanha os desdobramentos na política paraguaia com preocupação moderada, particularmente quanto ao risco de instabilidade institucional. No entanto, o Brasil prefere manter discrição pública, considerando que a sucessão presidencial constitui matéria interna do Paraguai e deve obedecer ao marco regulatório local.

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Em Brasília, avalia-se que a mudança de governo terá impacto limitado nas relações bilaterais, historicamente construtivas entre os países. Caso a crise se prolongue, contudo, existe inquietação quanto aos possíveis efeitos nas operações na fronteira e na cooperação em Itaipu.

Está previsto para início de dezembro a participação do presidente Lula na cúpula do Mercosul em Montevidéu. A previsão em Brasília é que o Paraguai seja representado pelo vice-presidente Pedro Alliana, que assumirá a presidência após a saída de Peña.

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