- Pela Redação
- 29/05/2023
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) havia antecipado denúncias sobre o empréstimo concedido à cunhada do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Durante sessão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, em 16 de maio, Calheiros expôs os detalhes da operação financeira meses antes da investigação da Polícia Federal vir à tona publicamente.
Conforme relatou o senador alagoano, o empréstimo teria funcionado como contrapartida a uma emenda legislativa apresentada por Motta. A proposta foi protocolada em dezembro de 2023 e previa obrigatoriedade de investimentos por fundos de pensão em operações de crédito de carbono — setor no qual Henrique Vorcaro, pai da cunhada de Motta, estava estruturando negócios.
Em sua intervenção na CAE, Calheiros qualificou a operação como "gritante". Mencionou uma segunda emenda, desta feita aprovada e sancionada, proposta pelo presidente da Câmara determinando que fundos de previdência direcionassem percentuais de seus ativos para o Banco Master.
"Esse fato é mais grave do que o da semana passada, porque essa emenda foi aprovada e foi sancionada. A cunhada do presidente da Câmara recebeu R$ 140 milhões do Banco Master a pretexto de um empréstimo que venceu, nunca foi cobrado e nunca teve nenhuma parcela paga", afirmou o senador na ocasião.
De acordo com investigações federais posteriores, o valor real do financiamento foi significativamente menor — R$ 20 milhões. Os recursos foram utilizados na aquisição de terreno em João Pessoa destinado a empreendimento imobiliário residencial.
Calheiros alertou ainda que a crise envolvendo o Master tende a escalar com o surgimento de novos envolvidos. "A crise do Master está escalando e vai escalar cada vez mais, porque a cada dia nós temos notícias de envolvimento de novas pessoas e com casos mais escabrosos do que os casos anteriormente conhecidos", pontuou.
O presidente da Câmara refuta qualquer irregularidade na operação. Em declarações ao jornal O Estado de S.Paulo, Motta argumentou que o contrato de financiamento de sua cunhada está sendo honrado regularmente e foi estruturado conforme condições comerciais de mercado. Negou também que sua emenda de dezembro de 2023 tenha sido motivada por interesses do Banco Master ou da família Vorcaro.
"Quando você precisa de um empréstimo, você procura quem? O banco, não é? A minha cunhada procurou um banco que estava legal à época, podia operar e ela tinha crédito. Então foi uma operação legal. Não tem ilegalidade de nada", defendeu-se ao Estadão.
Documentos da Polícia Federal, divulgados pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal nesta semana, revelam que Motta viajou a Lisboa em 2024 em aeronave particular de Vorcaro, com hospedagem em hotel luxuoso da capital portuguesa custeada pelo mesmo.
Quanto a essa viagem, Motta mantém que não guarda relação com a emenda por ele apresentada. "Legislar não é crime. Estávamos tratando de colocar um faturamento para um setor que assegura todo tipo de atividade que polui, inclusive traz dano ao meio ambiente, para que isso voltasse para a sustentabilidade", argumentou.
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