PF deflagra 9ª fase da Operação Compliance Zero contra Jaques Wagner e Augusto Lima

Senador é investigado por suspeita de corrupção em favor do Banco Master em troca de vantagens indevidas



A Polícia Federal deflagrou, na manhã de quinta-feira, a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades vinculadas ao Banco Master. Os principais investigados incluem o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado Federal, e o empresário Augusto Lima, que foi sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Por ordem do Supremo Tribunal Federal, agentes federais executam dezoito mandados de busca e apreensão distribuídos entre Bahia, São Paulo e Distrito Federal. Além das operações de busca, foram decretadas medidas cautelares, como retenção de passaportes e impedimento de comunicação entre os investigados.

A investigação aponta possível atuação de Jaques Wagner em defesa de pautas relacionadas ao Banco Master no Congresso Nacional. Entre as iniciativas sob análise estão propostas para ampliação de crédito consignado e a chamada "Emenda Master". Os agentes federais investigam se o senador recebeu compensações irregulares.

De acordo com a Polícia Federal, as vantagens suspeitas incluem um apartamento em Salvador no valor de R$ 2,5 milhões e benefícios que totalizariam aproximadamente R$ 3 milhões. Investigadores apontam que parte desses valores teria sido transferida por intermédio de uma empresa ligada a parentes do senador, possivelmente visando dissimular a procedência dos recursos.

A PF avalia que os fatos investigados podem constituir delitos de corrupção passiva, corrupção ativa e ocultação de patrimônio. A defesa de Augusto Lima divulgou comunicado afirmando que as operações realizadas pela Polícia Federal eram dispensáveis, uma vez que o empresário se coloca à disposição das autoridades há meio ano para esclarecer os fatos em investigação.

Os advogados sustentaram que Augusto Lima sempre atuou em conformidade com a legislação, mantendo transparência e responsabilidade no cumprimento das regulamentações do setor financeiro e da administração pública.

Em março do ano atual, a colunista Milena Teixeira divulgou que a BK Financeira, empresa da nora de Jaques Wagner, Bonnie de Bonilha, obteve não menos que R$ 11 milhões do Banco Master desde 2021. A companhia foi contratada para prospectar negócios de crédito consignado para a instituição de Daniel Vorcaro. Bonnie é casada com Eduardo Sodré, secretário estadual de Meio Ambiente e enteado do senador.

Jaques Wagner pronunciou-se anteriormente negando qualquer participação em intermediações ou transações favoráveis à empresa, argumentando que a responsabilidade por explicar as operações cabe somente aos dirigentes da companhia.

Augusto Ferreira Lima, também alvo da operação, mantém histórico como sócio anterior de Daniel Vorcaro e aparece frequentemente nas apurações relacionadas ao Banco Master. Ele foi capturado na primeira etapa da Operação Compliance Zero em novembro de 2025, teve patrimônio congelado pela Justiça e sofreu ações do Banco Central que determinou a liquidação extrajudicial da DTVM e do Banco Pleno.

Lima enfrenta ainda cobrança de R$ 247 milhões no Tribunal de Justiça paulista e é mencionado em processos judiciais por suposto ocultamento de bens através de estruturas empresariais destinadas a blindar propriedades.

O montante de perdas geradas pelas transações irregulares do Banco Master é estimado em R$ 60 bilhões.

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