Lula confirmará participação em cúpulas internacionais: Mercosul, COP, Asean e G20 até dezembro

Presidente retoma agenda diplomática com viagens a eventos-chave nos próximos dois meses, incluindo encontros com líderes mundiais



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou sua presença em diversos compromissos diplomáticos internacionais previstos para os próximos dois meses. Destaque especial para a cúpula do G20, que será realizada na Flórida, Estados Unidos, nos dias 14 e 15 de dezembro, sob a presidência de Donald Trump.

A confirmação do comparecimento de Lula nesses eventos dependia dos resultados das eleições municipais. Na semana anterior, o chanceler Mauro Vieira se reuniu com o presidente no Palácio da Alvorada para validar os compromissos internacionais e finalizar os detalhes da agenda externa.

A sequência de participações de Lula no cenário internacional até o encerramento do ano é a seguinte:

• COP31 (Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas) - Antália, Turquia, 11 e 12 de novembro;
• Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) - Manila, Filipinas, 14 e 15 de novembro;
• Cúpula do Mercosul - Montevidéu, Uruguai, 4 e 5 de dezembro;
• G20 - Flórida, Estados Unidos, 14 e 15 de dezembro.

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Durante sua passagem pelas Filipinas, Lula realizará uma visita de Estado no dia 13, quando serão firmados acordos bilaterais entre Brasil e Filipinas. Essa classificação representa o mais alto nível de protocolo diplomático, abrangendo não apenas encontros entre chefes de Estado, mas também reuniões ministeriais, encontros legislativos e cerimônias oficiais.

A ida às Filipinas integra o esforço estratégico do governo brasileiro para aprofundar parcerias comerciais com os países do Sudeste Asiático. O bloco Asean reúne 11 nações: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Mianmar, Brunei, Camboja, Laos e Timor-Leste, que somadas apresentam um Produto Interno Bruto estimado em US$ 4 trilhões, posicionando-se como a quinta maior economia global.

Recentemente, o chanceler Mauro Vieira visitou Singapura e Tailândia, reforçando a aproximação diplomática. Em agosto anterior, Lula e o chanceler receberam em Brasília a secretária de Negócios Estrangeiros das Filipinas, Maria Tereza Lázaro.

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Transição de Presidência Climática

Na COP31, o Brasil transferirá a presidência da Conferência do Clima das Nações Unidas para a Turquia. O país exerceu essa responsabilidade durante a COP30, realizada em novembro do ano anterior em Belém, Pará.

A assessoria internacional do Palácio do Planalto está elaborando o discurso presidencial para o evento, que deverá enfatizar a importância de fortalecer os mecanismos multilaterais para enfrentar as mudanças climáticas globais.

Desafios no Mercosul e Tensões com a Argentina

Na cúpula do Mercosul em Montevidéu, Lula possivelmente encontrará com Javier Milei, presidente argentino, caso este compareça. Milei, que frequentemente critica o bloco, não esteve presente na última cúpula realizada em Assunção, Paraguai, em junho.

O líder argentino defende maior flexibilidade nas regras comerciais do Mercosul, argumentando que o modelo atual prejudica os interesses econômicos da Argentina.

As relações bilaterais entre Brasil e Argentina enfrentam tensões significativas, marcadas por críticas reiteradas de Milei ao governo petista. Como resposta, Lula solicitou o retorno do embaixador brasileiro em Buenos Aires e orientou seu colega argentino a retornar à Argentina, reduzindo o nível diplomático bilateral.

A equipe assessora internacional de Lula não identifica condições políticas favoráveis para restaurar a presença diplomática argentina no momento, especialmente considerando as discussões sobre suposta participação do governo Milei na saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos.

O governo argentino optou por não emitir comunicado oficial reconhecendo a vitória eleitoral de Lula no pleito de 25 de outubro.

A cúpula de dezembro marcará o encerramento da presidência temporária uruguaia no Mercosul. O chanceler Mario Lubetkin descartou que o Uruguai atue como intermediário na crise entre Argentina e Brasil, pedindo redução nas tensões entre os mandatários.

Atualmente, o Mercosul busca viabilizar um acordo sobre a divisão de quotas de exportação sem tarifas para a União Europeia. Durante a reunião em Assunção, oficializou-se o início das negociações com o Japão para acordo de associação econômica e cooperação.

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Encontro com Trump no G20

No G20 na Flórida, embora Donald Trump seja o anfitrião, ainda não há agendamento de encontro bilateral formal entre ele e Lula. Será o primeiro encontro presencial dos dois após a saída de Flávio Bolsonaro para os EUA.

Segundo reportagem do The New York Times, existe suspeita de que a Casa Branca facilitou a saída de Flávio do Brasil.

Até o presente momento, Trump não parabenizou publicamente Lula pela vitória nas eleições. O presidente americano tem insinuado, sem comprovação, irregularidades no processo eleitoral brasileiro, mas comentou que aprecia Lula e mantém bom relacionamento com o petista.

O encontro anterior entre Lula e Trump ocorreu em maio do ano atual, durante visita oficial do brasileiro à Casa Branca. Aquele encontro durou aproximadamente três horas e foi descrito pelos dois mandatários como produtivo e muito positivo.

Em agosto subsequente, os presidentes mantiveram conversa telefônica com duração de cerca de uma hora e meia, momento em que Lula reafirmou a Donald Trump a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e solicitou que o presidente americano não interferisse no processo eleitoral nacional.

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