- Pela Redação
- 29/05/2023
O Ibovespa, principal termômetro do mercado acionário brasileiro, encerrou os primeiros seis meses de 2026 com valorização de 6,77%. Contudo, especialistas alertam para dificuldades na retomada do desempenho no segundo semestre.
O desempenho inicial foi impulsionado por otimismo dos investidores. A bolsa chegou a superar os 198 mil pontos em abril, alimentando esperança de atingir a marca simbólica dos 200 mil pontos. Esse impulso inicial veio acompanhado de múltiplos atrativos e busca por diversificação internacional em ativos emergentes.
Mas a tendência inverteu-se nos últimos meses. Com o fechamento em 172.024,12 pontos na terça-feira (30), o índice registrou queda de 1,01% em junho. A entrada de investimentos externos, que foi recorde em janeiro com R$ 26,31 bilhões, desacelerou significativamente, culminando em maio com a maior retirada de capital desde 2022.
David Beker, chefe de Economia do BofA para o Brasil e América Latina, identifica na redução de investidores estrangeiros o principal obstáculo. Segundo ele, o capital internacional foi o motor fundamental da alta anterior, e sua saída reflete incertezas no cenário macroeconômico global.
Os fatores internacionais pesam mais que questões domésticas nessa mudança de cenário. Beker destaca expectativas de elevação de juros nos Estados Unidos, realocação de investimentos para inteligência artificial e redução dos preços do petróleo como elementos que deslocam capital dos mercados emergentes.
Para que o mercado acionário brasileiro retome sua trajetória ascendente, seria necessário um gatilho de grande magnitude. Virgilio Lage, especialista da Valor Investimentos, aponta a política monetária como possível catalisador. Uma redução da taxa Selic estimularia o apetite por risco, tornando ações mais atrativas comparadas aos títulos de renda fixa.
Entretanto, tal cenário permanece distante. O mercado projeta a taxa básica acima de 11% até meados de 2028. Além disso, preocupações com a situação fiscal do país, riscos eleitorais, desaceleração da economia chinesa e comportamento das commodities continuam alimentando a incerteza.
A volatilidade também caracteriza o câmbio. O dólar iniciou 2026 a R$ 5,48, chegou a operar abaixo de R$ 5 entre abril e maio, mas desde então apresenta tendência de alta novamente.
Rafael Espinoso, estrategista e gerente de portfólio da GCB, identifica alguns elementos positivos. A empresa destaca que o Ibovespa opera em múltiplos ainda atrativos, o câmbio permanece favorável para estrangeiros e há possibilidades de reposicionamento político favorável ao mercado na região.
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