- Pela Redação
- 29/05/2023
O Chile foi abalado no dia 24 de junho por um caso que evidencia a crise de segurança enfrentada pelo país. Um menino de apenas 12 anos perdeu a vida na comuna de San Bernardo, em Santiago, após ser vítima de um assalto violento junto com seu pai e sua tia no retorno para casa.
De acordo com informações das autoridades chilenas, um grupo criminoso formado por no mínimo cinco indivíduos realizou a abordagem, roubou o veículo da família e deixou a criança presa pelo cinto de segurança, sendo arrastada por vários quilômetros. O trágico desfecho resultou em lesões fatais.
A resposta policial foi rápida e abrangente. As autoridades chilenas conseguiram identificar e prender seis pessoas envolvidas no crime. Entre os detidos, dois têm 17 anos, dois possuem 18 anos, um tem 21 e outro tem 23 anos de idade.
O presidente José Antonio Kast pronunciou-se sobre o ocorrido ainda no mesmo dia, expressando sua consternação: "Isso é dramático. Todos nós temos trabalhado contra a criminalidade; os números melhoraram em termos de homicídios, roubos de veículos com violência, perseguição da ação penal, mas não há número que substitua a dor de uma família".
O general Marcelo Araya, diretor da instituição de polícia militar chilena, reforçou a mensagem durante coletiva de imprensa: "Esses criminosos, adolescentes, crianças, ou como queiram chamá-los, não merecem estar nas ruas. Não merecem causar tanta dor."
A promotora regional encarregada do caso, Paulina Díaz, detalhou as acusações formais: roubo com resultado morte, roubo com violência e roubo com intimidação. Ela explicou a dinâmica do crime: "Foi tamanha a gravidade e a ameaça que fez com que o menino que estava no banco traseiro não conseguisse escapar, ficando preso pelo cinto de segurança e, em definitivo, sofrendo posteriormente lesões que acabaram causando sua morte".
Quanto às possíveis sentenças, Díaz indicou que os réus adultos enfrentarão as acusações mais severas do ordenamento jurídico chileno. "Nossa pretensão sempre será a pena máxima, prisão perpétua qualificada. E, no caso dos réus menores de idade, também será solicitado o máximo possível de acordo com a Lei de Responsabilidade Penal Adolescente, considerando a gravidade do delito, que é de dez anos."
O tribunal estabeleceu um período de 120 dias para a investigação preliminar, com internação provisória para os menores e prisão preventiva para os adultos envolvidos.
A questão da segurança foi central na campanha eleitoral de Kast, que assumiu a presidência chilena em março do ano vigente. Seu governo divulgou dados animadores em relatório de 14 de maio da Subsecretaria de Prevenção do Delito, indicando redução de 13% nos roubos violentos durante o primeiro trimestre.
Os números mostram queda de 16,9% em roubos com violência e intimidação, além de redução de 18,3% em roubos violentos de veículos. Entretanto, tragédias como a morte da criança durante o assalto colocam em questão a efetividade das políticas de segurança implementadas e alimentam a insatisfação social com o cenário de criminalidade no país.
0 Comentários
Faça um comentário