- Pela Redação
- 29/05/2023
Quarenta e oito horas após a derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva e um dia depois que o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal ordenou a entrega de seus documentos, o senador Flávio Bolsonaro saiu do território brasileiro na noite de terça-feira (27).
Segundo informações oficiais, o senador atravessou a fronteira entre Brasil e Argentina a pé, utilizando a Ponte Internacional Tancredo Neves. Posteriormente, utilizou um voo privado para chegar ao Equador e, em seguida, seguiu rumo aos Estados Unidos. Assessores próximos indicam que a administração Donald Trump autorizou sua permanência no país norte-americano.

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A movimentação do senador começou a ser divulgada pela imprensa argentina, gerando especulações ao longo do dia sobre seu paradeiro. Diferentes versões circularam pelas redes sociais e meios de comunicação, com fontes próximas à família confirmando sua saída para os Estados Unidos enquanto autoridades brasileiras buscavam localizá-lo.
À noite, a Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou oficialmente que Flávio ingressou no país vizinho à 22h50 de terça-feira (27), acompanhado de sua esposa Fernanda e duas filhas.
Entenha a sequência completa dos acontecimentos, as reações políticas e os possíveis desdobramentos legais para o senador bolsonarista.
Manhã: o desaparecimento, o prazo dos passaportes e o cancelamento dos documentos
Após a publicação do jornal argentino informando sobre a saída do senador, começaram a chegar relatos sobre um possível deslocamento de Flávio para fora do Brasil. Conforme seus aliados, o senador permanecia sem se comunicar.
O Palácio do Planalto acionou as autoridades argentinas para investigar o paradeiro do político, enquanto a Polícia Federal verificava os registros de passagem nas fronteiras terrestres. Naquele momento, as autoridades federais desconheciam a localização precisa do senador. As autoridades migratórias argentinas negavam sua entrada no país durante a manhã.
A equipe jurídica do senador tentava contato para receber os documentos e cumprir a determinação judicial de Moraes. O prazo se encerrou às 11h da manhã sem apresentação dos passaportes de forma física.
A Polícia Federal procedeu ao cancelamento dos passaportes comum e diplomático de Flávio em seus sistemas informatizados. Entretanto, o senador adquiriu nacionalidade italiana em 2023 e pode ter direito a documentação daquele país. Apenas autoridades italianas podem anular esse terceiro passaporte.
Início da tarde: informações conflitantes sobre a viagem aos EUA
A partir das 14h, pessoas ligadas ao círculo Bolsonaro confirmaram que Flávio havia deixado o Brasil durante a madrugada com sua esposa e filhas, seguindo para os Estados Unidos. Um porta-voz do governo americano ouvido pela agência de notícias Reuters também confirmou que o senador estava em rota para o país.
Porém, esses relatos foram posteriormente confrontados por documentos oficiais do órgão de imigração argentino, que indicavam que os movimentos iniciais do político ocorreram somente na noite daquele dia.
Noite e madrugada: ingresso na Argentina e conexão no Equador
Por meio de publicação em rede social, a Direção Nacional de Migrações da Argentina divulgou detalhes sobre a entrada do senador no país. Às 22h50, Flávio atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que conecta Foz do Iguaçu no Paraná a Puerto Iguazú em Misiones. Acompanhavam-no sua esposa Fernanda e as duas filhas do casal.
Conforme informações do órgão argentino, às 23h30 a família embarcou em uma aeronave de taxi aéreo operada pela companhia Baires Fly. O plano de voo indicava Guayaquil como destino. Segundo registros do site FlightAware, a aeronave aterrisou no Equador às 5h46 horário de Brasília.
Manhã da quarta-feira: decolagem do Equador rumo a Miami
Após uma breve pausa de aproximadamente meia hora, a aeronave decolou novamente. O destino informado era Miami, que seria o ponto final da jornada de Flávio. De acordo com o site FlightAware, o pouso estava previsto para 10h18 horário brasileiro em um aeroporto privado da cidade.
Na última domingo (25), seu irmão Eduardo Bolsonaro, que reside no Texas desde o ano passado, acompanhava o resultado das urnas na Flórida.
Conforme relatos de aliados, a mudança foi provocada pelo temor de detenção após a decisão do ministro Moraes. Essas mesmas fontes afirmaram que a administração Trump sinalizou abertura para concessão de asilo político ao senador e sua família.
Flávio é alvo de investigação por lavagem de ativos, irregularidades cambiais, corrupção e crimes associados no processo denominado Dark Horse, que analisa o financiamento da película biográfica sobre Jair Bolsonaro. O ministro Mendonça conduz essa apuração.
Outra investigação, sob responsabilidade de Moraes, examina condutas de Flávio Bolsonaro e do consultor jurídico Willer Tomaz relacionadas a lavagem de capitais e saída ilegal de divisas. Foi dentro dessa investigação e conforme requisição da Polícia Federal que Moraes determinou na segunda-feira (26) a entrega e posterior cancelamento dos passaportes do senador.
O anúncio da saída gerou incômodo entre membros do partido Republicanos, que haviam recomendado ao senador que permanecesse no país e adotasse estratégias legais para contestar o resultado. Para determinada ala, a partida foi qualificada como
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