Avallone vê risco à soberania nacional em projeto de Pivetta que classifica facções como terroristas

"Só chamar de terrorista muda o quê?”



Danilo Figueiredo do rufandobombonews 

O deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) demonstrou preocupação com o projeto do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) que propõe classificar facções criminosas como organizações terroristas. Para o parlamentar, a medida pode abrir brechas para interferências estrangeiras no Brasil, especialmente diante das ameaças dos Estados Unidos de ampliar o combate a grupos criminosos na América Latina.

Embora tenha admitido que ainda não conhece os detalhes da proposta, Avallone afirmou que, a princípio, é contrário à iniciativa e questionou quais seriam os benefícios práticos da classificação.

“Só colocar o nome de terrorista muda o quê? Qual é a vantagem disso? A não ser propiciar uma interferência maior estrangeira no Brasil”, questionou.

O deputado também levantou dúvidas sobre a possibilidade de uma eventual classificação como terrorismo servir de justificativa para ações externas em território brasileiro. Ele citou como exemplo uma possível atuação de tropas norte-americanas no combate a facções criminosas e alertou para os riscos à soberania nacional.

“É muito perigoso. É uma interferência muito grande. Nós temos que tomar um certo cuidado com isso”, declarou.

Avallone também relacionou o debate ao resultado das eleições presidenciais e afirmou que a defesa da soberania nacional foi uma das pautas que mobilizaram jovens durante a campanha eleitoral. Na avaliação dele, os governantes precisam compreender o recado das urnas antes de avançar com medidas que possam gerar controvérsias.

O parlamentar ainda criticou a possibilidade de o governo estadual adotar uma proposta associada à campanha do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro. Para Avallone, a discussão exige cautela e uma avaliação concreta sobre os efeitos da medida no enfrentamento ao crime organizado.

“Não conheço a lei, mas, a princípio, não sou favorável. Nós temos que tomar muito cuidado com uma decisão dessa”, concluiu.

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