- Pela Redação
- 29/05/2023
Márcio Eça do rufandobombonews
A deputada federal Gisela Simona saiu em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro após a repercussão de um vídeo em que ela relata ter sido desrespeitada pelo senador Flávio Bolsonaro. Para Gisela, o caso revela uma realidade enfrentada por mulheres que ocupam cargos de liderança: a de terem sua capacidade política constantemente colocada em dúvida.
Segundo a parlamentar, Michelle apenas tornou público um sentimento compartilhado por muitas mulheres na política, que ainda enfrentam resistência para terem seu protagonismo reconhecido.
"Infelizmente, os homens ainda ignoram muito as lideranças femininas do nosso país. O que a Michelle colocou é algo que acontece com frequência, como se nós não entendêssemos de política, como se não tivéssemos capital político e protagonismo. E nós temos", afirmou.
Gisela disse que a classe política precisa abandonar esse tipo de postura e reconhecer a importância da participação feminina nas decisões do país.
Ao comentar as críticas de parlamentares que questionaram o fato de Michelle só ter tornado o episódio público próximo ao período eleitoral, a deputada afirmou que esse tipo de julgamento ignora a complexidade da violência política de gênero.
"Isso é muito grave. Muitas vezes a mulher não consegue falar imediatamente. Ela pensa na família, na repercussão e em tudo o que pode acontecer. Nós respeitamos o tempo da Michelle. O importante é que ela falou a verdade, e isso precisa ser levado em consideração", declarou.
Na avaliação de Gisela, o episódio não deve provocar uma ruptura entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Ela acredita que o impasse será resolvido internamente para evitar um desgaste ainda maior no campo conservador.
"Acredito que a família vai entrar em um acordo. A direita já está muito dividida e uma divisão dentro da própria família seria pior ainda", concluiu.
A manifestação de Michelle repercutiu nacionalmente ao reacender o debate sobre violência política de gênero, tema previsto na legislação brasileira desde 2021. A norma considera crime atos que constranjam, humilhem ou restrinjam a atuação de mulheres em razão de seu gênero no exercício de direitos políticos ou de funções públicas.
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