- Pela Redação
- 29/05/2023
A Polícia Civil de Mato Grosso executou nesta quinta-feira (5) a Operação Círculo Vicioso, ação conjunta destinada a desmantelar uma organização criminosa atuante em múltiplas unidades federativas, com especialização em invasões e furtos de caixas eletrônicos.
A operação colocou em prática 74 determinações judiciais, incluindo 10 ordens de prisão preventiva, 18 mandados para busca e apreensão em residências, 18 autorizações para acesso a registros eletrônicos, 15 requisições de quebra de sigilo em instituições financeiras e 13 ordens para congelamento de valores financeiros totalizando aproximadamente R$ 240 mil. O Núcleo de Justiça 4.0, presidido por magistrado de garantias lotado em Cuiabá, emitiu todas as determinações.
As apurações, coordenadas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), revelaram uma estrutura delituosa com alcance multiestadual, responsável por múltiplos roubos de equipamentos de saque instalados em comércios e órgãos financeiros nas regiões de Cuiabá e Várzea Grande.
O desdobramento das operações ocorre em Cuiabá, Rondonópolis (MT), Joinville (SC) e São Luís (MA), contando com a cooperação da corporação catarinense, maranhense e da Polícia Rodoviária Federal.

Método criminoso com lança térmica
Os investigadores iniciaram suas apurações em decorrência de um assalto perpetrado nas primeiras horas de 21 de janeiro de 2026, em um equipamento de saque localizado no interior de um centro comercial do bairro Praia Grande, em Várzea Grande.
Durante a ação delituosa, os autores acionaram uma lança térmica, equipamento industrial empregado para seccionar materiais de alta resistência, objetivando romper o compartimento de segurança do aparelho. Apesar da ativação do mecanismo protetor, que despeja tinta nas notas para invalidá-las, os delinquentes conseguiram retirar R$ 105 mil.
Mediante o desenvolvimento da investigação, profissionais da GCCO/Draco constataram que o episódio integrava uma sequência de crimes com padrões análogos. Somaram-se seis eventos criminosos registrados entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, todos incidindo sobre equipamentos de saque nas localidades de Cuiabá e Várzea Grande.
Os ataques apresentavam padronização, caracterizando-se pelo arrombamento de estruturas murais, emprego de revestimentos para neutralizar a claridade gerada pela ferramenta térmica e secção dos compartimentos blindados dos aparelhos.

Organização em núcleos especializados
As conclusões demonstraram que a organização funcionava mediante núcleos especializados: um executando os assaltos, outro realizando a higienização das notas manchadas de tinta, um terceiro gerenciando infraestrutura tecnológica, e um quarto recebendo os ganhos ilícitos.
Após a execução dos furtos, os responsáveis pela limpeza aplicavam processos específicos para remover a tinta de proteção das notas, empregando solventes e insumos diversos. Posteriormente, as quantias eram depositadas de forma pulverizada em distintas agências bancárias, metodologia designada smurfing, que complica o rastreamento da procedência delituosa dos fundos.

Os valores obtidos mediante os roubos eram repartidos entre participantes e intermediários, que recebiam as transferências em suas contas financeiras. O exame de registros visuais dos sistemas de vigilância das instituições bancárias e demais elementos investigativos possibilitaram estabelecer a participação dos acusados em diferentes fases do esquema.
Ramificações em diversos estados
Os dados coletados indicaram que a organização distribuía seus integrantes por múltiplas jurisdições estaduais, principalmente em Santa Catarina, com indivíduos que se deslocavam para Mato Grosso a fim de executar os ataques. As informações obtidas também apontaram vínculos dos investigados com atividades criminosas pregressas nos territórios do Rio de Janeiro e Alagoas.

As ordens judiciais abarcam residências em Mato Grosso e na região de Joinville, bem como estratégias para estancar o fluxo de recursos financeiros advindos de atividades criminosas.
A sentença judicial também determinou o sequestro de ativos dos acusados no patamar máximo de R$ 239.980,52, quantia equivalente aos danos registrados nas apurações em quatro dos episódios de furto investigados, com possibilidade de revisão conforme o aprofundamento das análises patrimoniais.

Significado do nome da operação
O designativo Operação Círculo Vicioso representa o padrão de reiteração criminal identificado nas investigações, em que os integrantes da estrutura realizam assaltos a equipamentos de saque, apropriam-se das quantias, e em seguida executam procedimentos para mascarar a origem criminosa dos valores e reintroduzi-los no mercado formal.
A expressão também corporifica o aspecto iterativo das operações ilegais, que englobava segmentos distintos, mantendo operacional um sistema consolidado e permanente de geração de proveitos indevidos.

Integração na Renorcrim
A ação insere-se nas iniciativas promovidas pela Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim). A rede congrega delegados responsáveis das unidades especializadas e membros do ministério público estadual presentes nas 26 unidades federativas e no Distrito Federal e opera sob coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, através da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi) vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), com propósito de estabelecer metodologias de coleta de informações e combate permanente à delinquência organizada.
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