- Pela Redação
- 29/05/2023
Da assessoria
Pela primeira vez uma audiência pública na Assembleia Legislativa celebrará a emancipação de um bloco de municípios, homenageará o primeiro prefeito de cada um, debaterá suas demandas e apontará caminhos para o crescimento e o desenvolvimento de todos. A iniciativa é do vice-presidente da Assembleia, Júlio Campos (União) que requereu a solenidade e a presidirá. Da relação fazem parte 24 municípios emancipados em 13 de maio de 1986, por leis sancionadas por Júlio Campos, que à época era governador de Mato Grosso.
A sessão acontecerá em 19 de maio, às 9 horas, no plenário da Assembleia.
Em 1986 a decisão da subdivisão municipal foi do então governador Júlio Campos que sancionou as leis que criaram as cidades de Guarantã do Norte, Araguaiana, Sorriso, Primavera do Leste, Cocalinho, Marcelândia, Figueirópolis D’Oeste, Nova Olímpia, Indiavaí, Comodoro, Porto Esperidião, Reserva do Cabaçal, Novo São Joaquim, Paranaíta, Alto Taquari, Campinápolis, Vila Rica, Porto Alegre do Norte, Terra Nova do Norte, Itaúba, Vera, Nova Canaã do Norte, Novo Horizonte do Norte e Peixoto de Azevedo.
À época Mato Grosso tinha 1.436.219 habitantes em 55 municípios e o vazio demográfico ameaçava seu amanhã. Isso porque as levas migratórias sulistas que ocorriam com intensidade preferiam o recém-criado Mato Grosso do Sul, o Pará e o Norte de Goiás (atual Tocantins), enquanto os capixabas e mineiros em sua maioria mudavam-se para Rondônia. Era preciso criar infraestrutura para atrair a migração, mas somente as obras não seriam suficientes: era imperativo criar municípios. Com essa visão Júlio Campos transformou vilas em cidades. Para tanto contou com apoio das duas bancadas na Assembleia: o PDS governista e o PMDB de oposição.
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Novo Horizonte do Norte foi a segunda vila criada na área conhecida como Nortão e que tem 36 municípios; a primeira foi Porto dos Gaúchos.
Localizada fora das margens da BR-163, a Cuiabá-Santarém, e na calha do ribeirão Mestre Falcão, Novo Horizonte foi elevada à cidade, por Júlio Campos, para que a emancipação expandisse a ocupação do vazio demográfico e criasse novos polos para o cultivo e a pecuária.
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A distribuição geográfica dos municípios facilitaria a ocupação do vazio demográfico e irradiaria para a criação de mais cidades. Sorriso tem a quinta maior população entre os municípios mato-grossense, e Primavera do Leste, a sétima. Alguns foram desmembrados para o surgimento de novos municípios: Vera cedeu área para a criação de Feliz Natal; parte de Sorriso passou a pertencer a Boa Esperança do Norte. Nova Santa Helena desmembrou-se de Itaúba. Terra Nova do Norte e Peixoto de Azevedo cederam áreas para a criação de Nova Guarita. Cocalinho e São Félix do Araguaia cederam partes de seus territórios para a emancipação de Novo Santo Antônio; São Félix emancipou-se em 13 de maio, mas de 1976. Porto Alegre do Norte, São Félix do Araguaia e Luciara foram fracionados para a emancipação de Canabrava do Norte; Luciara emancipou-se antes de 13 de maio de 1986.
A soma da população dos 24 municípios é de 472.765 habitantes e vários registram alta taxa de crescimento populacional.
Na fronteira com a Bolívia, que tem 983 km de extensão, com 730 km em solo firme, o então governador Júlio Campos criou Comodoro e Porto Esperidião. Cáceres, Vila Bela da Santíssima Trindade e Poconé, os outros três municípios fronteiriços são bicentenários.
As divisas estaduais foram contempladas por Cocalinho (GO), Comodoro (que além da fronteira faz divisa com Rondônia), Alto Taquari (GO/MS), Araguaiana (GO), Vila Rica (PA), Paranaíta (PA), Peixoto de Azevedo (PA) e Guarantã do Norte (PA).
Nas diversas regiões, mas fora da fronteira e da divisa brotaram Sorriso, Primavera do Leste, Marcelândia, Nova Olímpia, Indiavaí, Reserva do Cabaçal, Figueirópolis D’Oeste, Novo São Joaquim, Campinápolis, Porto Alegre do Norte, Terra Nova do Norte, Itaúba, Vera, Nova Canaã do Norte e Novo Horizonte do Norte.
A existência da cidade motivava a migração e o governo tratou de criar infraestrutura para as mesmas. Vários dos novos municípios ganharam acesso pavimentado para Cuiabá. Foi assim com Primavera do Leste, Porto Esperidião, Indiavaí, Figueirópolis D'Oeste, Comodoro, Sorriso e Itaúba.
POLÍTICA - A emancipação em massa criou um fato político novo. Até então o governador nomeava o prefeito do recém-emancipado município até a eleição de seu primeiro prefeito quando das eleições gerais para o cargo. Porém, em 1986 foi diferente. Naquele ano aconteceram as eleições estaduais, mas nas novas cidades houve um pleito suplementar com mandato-tampão, para a escolha dos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.
Os prefeitos foram eleitos em 15 de novembro de 1986, tomaram posse em 1987 e administraram até o começo 1989 sendo sucedidos pelos vitoriosos nas eleições de 1988. Em Primavera do Leste o eleito foi Darnes Egydio Cerutti; em Marcelândia, Paulo Eli Ribeiro; João Rosa do Carmo, em Vila Rica; João Gregório da Silva, em Nova Olímpia; Alcino Manfroi, em Sorriso; Eduardo Zeferino, em Itaúba; José Joaquim Azevedo Figueiredo, em Figueirópolis D'Oeste; Jair Benedetti, em Comodoro; Januário Santana do Carmo, em Porto Esperidião; Fernando Barros, em Terra Nova do Norte; Leonísio Lemos Melo Júnior, em Peixoto de Azevedo; João Alves de Oliveira, em Campinápolis; Jerônimo Carvalho David, em Novo São Joaquim; José Leonídio Cesário, em Reserva do Cabaçal; Rodolfo Alexandre Inácio, em Porto Alegre do Norte; Júnior Pereira Neves, em Novo Horizonte do Norte; Jamiro Formigoni, em Nova Canaã do Norte; Benedito Ferreira da Silva, em Paranaíta; Nicanor dos Santos, em Cocalinho; Herionaldo Couto Queiroz, em Guarantã do Norte; José de Lima Cavalcante, de Vera; Erni Valdir Dreyer, de Alto Taquari; Antenor Modesto, em Indiavaí; e Lindomar Inácio de Souza, de Araguaiana.
Além da contribuição desses municípios para o desenvolvimento, nos mesmos também surgiram lideranças políticas estaduais. Jair Benedetti, eleito primeiro prefeito de Comodoro, foi deputado estadual. De Reserva do Cabaçal, Ezequiel Fonseca exerceu mandatos de prefeito, deputado estadual e deputado federal. De Primavera do Leste, Zeca Viana e Luizinho Magalhães foram deputados estaduais. De Sorriso, José Domingos Fraga Filho foi prefeito, deputado estadual e cumpre mandato de prefeito em Nobres. Também de Sorriso, Xuxu Dal Molin foi deputado estadual. De Alto Taquari, Nelson Barbudo é deputado federal e ocupou o mesmo cargo na legislatura anterior.
Os 24 municípios
Sorriso (120.561 habitantes), à margem da BR-163, no Nortão, tem a quinta população mato-grossense; é o maior município agrícola do mundo.
Sorriso tem padrão residencial acima da média brasileira. É polo agroindustrial com esmagamento de soja e descaroçamento de algodão; é centro universitário e sua base populacional é predominante sulista.
Alto Taquari (11.571) na tríplice divisa (MT/MS/GO) é polo agroindustrial e tem um terminal da ferrovia Rumo Logística, que liga Rondonópolis ao porto de Santos com terminais intermediários em Itiquira e Alto Araguaia.
Ao lado da cidade nasceu o rio que lhe empresta o nome, e que é um dos principais formadores do Pantanal Mato-grossense.
Vila Rica (19.827) dividia ao meio pela BR-158, no Vale do Araguaia e na divisa com o Pará, com um dos maiores rebanhos bovinos mato-grossenses é estratégico ponto do corredor que escoa commodities agrícolas do Vale do Araguaia para os portos do Arco Norte no Pará e Maranhão.
Terra Nova do Norte (10.641), à margem da BR-163, no Nortão, tem uma grande bacia leiteira e produz lácteos que são vendidos Brasil afora. Terra Nova foi piloto em Mato Groso para a criação da colonização por agrovilas idealizadas pelo colonizador e pastor luterano Norberto Schwantes.
O mosaico fundiário de Terra Nova é considerado referência para Mato Grosso.
Nova Olímpia (16.314), no Vale do Rio Cuiabá, é centro sucroalcooleiro e um dos pioneiros do Proálcool. O investidor Olacyr de Moraes instalou naquele município a maior usina de álcool do mundo.
Primavera do Leste (92.927), no polo de Rondonópolis, é um dos mais destacados municípios do estado, é um dos líderes na produção agrícola e na agroindústria.
O cruzamento da BR-070 com a MT-130 na cidade lhe confere ganho logístico; a primeira liga Cuiabá a Brasília via Barra do Garças, e a outra faz a ligação de Rondonópolis com Paranatinga.
Cocalinho (6.428), à margem do rio Araguaia e na divisa com Goiás, além de polo pecuário e um dos mais belos roteiros turísticos do Brasil interior.
Campinápolis (15.713), no Vale do Araguaia, se destaca pela bacia leiteira. É o único município de Mato Grosso com maioria populacional indígena. A etnia Xavante.
Com 8.453 aldeados, os xavantes representam 53,79% dos 15.713 habitantes de Campinápolis
Porto Esperidião (10.167), à margem da BR-174, na fronteira e banhado pelo rio Jauru, tem um grande rebanho bovino e seu destaque cultural é a festa do curussé, originária dos Andes bolivianos.
Vera (10.584), no Nortão, é uma cidade moderna, sede de comarca, topografia plana e sua produção agrícola é a base de seu alicerce econômico. Vera foi o primeiro núcleo urbano construído no eixo da BR-163 quando de sua abertura pelo 9º Batalhão de Engenharia de Construção.
Comodoro (18.461), na fronteira e na divisa com Rondônia, é o ponto de convergência das rodovias federais 174 e 364, que rumo Norte ligam Mato Grosso a Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima, e em sentido inverso, a São Paulo. O município tem grandes jazidas minerais ainda inexploradas.
Porto Alegre do Norte (12.524), no Vale do Araguaia e banhado pelo rio Tapirapé, registra grande crescimento de produção agrícola, recebe investidores e oferece boa qualidade de vida à população.
Porto Alegre do Norte é uma das principais fronteiras agrícolas mato-grossense. A área cultivada no município aumentou muito nos últimos anos.
Com investimento de 1 bilhão de reais, o grupo 3Tentos construirá uma indústria de etanol de milho, prevista para operar a partir de 2026. Terá capacidade diária de processamento de 2.100 toneladas do cereal devendo produzir 37 toneladas de óleo, 935 m³ de etanol e 587 toneladas de DDG gerando cerca de 500 empregos; a fase de construção deverá gerar três mil postos de trabalho.
Peixoto de Azevedo (33.599), à margem da BR-163, divisa com o Pará, no Nortão, foi a principal praça garimpeiro no ciclo do ouro em Mato Grosso, que ocorreu de 1976 a 1994. A atividade mineral prossegue, porém observando as regras ambientais. A atividade agropecuária é expressiva. O lendário cacique Raoni Metuktire, principal liderança indígena nacional, é aldeado na Terra Indígena Capoto/Jarina.
Marcelândia (11.414), no Nortão, foi atingida pelo maior incêndio urbano em Mato Grosso. Em 2010 o fogo arrasou 116 residências, indústrias madeireiras, veículos e maquinário. Houve redução populacional, mas o município se recuperou. A lavoura da soja chegou e Marcelândia divide espaço entre o cultivo e as invernadas.
Indiavaí (2.194) na faixa de fronteira e no polo de Cáceres é um dos pequenos municípios da região, mas registra crescimento com a instalação de uma usina sucroalcooleira, que gera emprego e renda.
Guarantã do Norte (31.328), à margem da BR-163 e na divisa com o Pará, é um centro distribuidor atacadista para municípios e vilas paraenses às margens e no eixo da BR-163 até Itaituba, município onde opera um porto no rio Tapajós, que escoa commodities agrícolas mato-grossenses.
Reserva do Cabaçal (2.062), na faixa de fronteira, é próxima a Indiavaí e tem exuberantes rodeiros turísticos ancorados pelo rio Cabaçal que lhe empresta o nome.
Novo São Joaquim (7.160), no Vale do Araguaia, tem a economia calcada na pecuária extensiva.
Itaúba (5.161) à margem da BR-163, no Nortão, recebeu o nome de uma das árvores que eram comuns na região, a Itaúba. Sua economia é agropecuária e a extração de castanha-do-brasil gera renda na cidade, com sua venda nas barracas à margem da BR-163, onde também são vendidos outros produtos do extrativismo e do artesanato.
Parte do município de Nova Santa Helena foi desmembrada de Itaúba, e parte, de Cláudia.
Nova Canaã do Norte (11.771), no Nortão, é um dos principais polos da pecuária estadual.
Além de um grande rebanho o município tem uma planta frigorífica que abate bovinos e uma indústria de laticínio que envasa leite e produz lácteos para o mercado doméstico mato-grossense.
Novo Horizonte do Norte (3.307), no Nortão, dista 27 km de Juara, que é polo regional. Sua economia é pecuária.
Figueirópolis D’Oeste (3.112) no polo de Cáceres e na faixa de fronteira tem a economia calcada na pecuária leiteira.
Araguaiana (3.950) no Vale do Araguaia teve sua autonomia administrativa devolvida por Júlio Campos.
Em 1948 Barra do Garças era distrito de Araguaiana, mas o prefeito Antônio Paulo da Costa Bilego transferiu a sede do município para o distrito da Barra.
Sem prejuízo para Barra, Júlio Campos recriou o antigo município de Araguaiana.
Paranaíta (11.989) foi fundado pelo colonizador Ariosto da Riva, que planejava transformá-lo num polo da cafeicultura. O ciclo do ouro fez de Paranaíta um imenso garimpo. Aos poucos a pecuária ocupou lugar de destaque na economia. Mais recentemente a construção da UHE Teles Pires, no rio do mesmo nome, na divisa de Mato Grosso e Pará mudou o perfil econômico da região.
Com cinco turbinas, essa UHE gera 1.820 MW, energia suficiente para a demanda residencial de 5 milhões de consumidores; é a maior de Mato Grosso. Seu reservatório tem 95 km² e o rio sofre represamento em 70 quilômetros. A altura máxima é de 80 metros com queda bruta de 59 metros e extensão de 1.650 metros. O raio direto tem 84% em Paranaíta e 16% no município de Jacareacanga (PA).
A usina, que é a maior de Mato Grosso, dista 85 quilômetros de Paranaíta e recebeu financiamento de R$ 5 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Estima-se que cinco mil operários e técnicos trabalharam em sua construção.
*Recíproca em Novo Horizonte do Norte*
Na mesma solenidade o município de Novo Horizonte do Norte prestará uma homenagem a Júlio Campos.
O deputado receberá o Título de Cidadão Novo-horizontino, honraria concedida por unanimidade pelos vereadores da Câmara Municipal, por meio de uma propositura da vereadora Eliane dos Reis Maria (União).
O deputado ao ser informado sobre a Cidadania recebida, agradeceu aos vereadores e de modo especial a autora Eliane dos Reis Maria.
Júlio Campos disse que o diploma que o faz Cidadão Novo-horizontino estará em destaque na sua galeria de comendas e títulos, e que se sente muito honrado com o reconhecimento de Novo Horizonte do Norte por seu trabalho.
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