- Pela Redação
- 29/05/2023
O espaço de entrada da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) será palco, entre 3 e 6 de novembro, da exposição cultural Elementos. O evento reúne trabalhos em cerâmica realizados por estudantes do Ateliê Tudo à Mão, coordenado pela ceramista Dalva Zulli, além de participações especiais de artistas colaboradores. A iniciativa faz parte da agenda de atividades promovida pela Secretaria de Cultura e Memória da instituição, visando reconhecer e promover a produção artística, o artesanato e os criadores locais.

A mostra apresenta uma diversidade de objetos funcionais e ornamentais, confeccionados através de variadas metodologias de moldagem em argila, combinando técnicas manuais com o uso da roda de oleiro. Os visitantes terão a oportunidade de apreciar também a arte marajoara, uma expressão cultural de herança indígena marcada por seus padrões gráficos e composições visuais executadas manualmente.
Conforme explica Dalva Zulli, idealizadora do ateliê, o objetivo desta edição é colocar em primeiro plano os trabalhos dos alunos e demonstrar que a prática artística pode ser desenvolvida por qualquer indivíduo, desde que receba orientação apropriada e dedique-se ao aprendizado. Ela enfatiza que muitas pessoas chegam ao ateliê acreditando não possuir aptidão artística, porém o domínio da técnica e a sequência adequada de formação permitem que qualquer pessoa realize suas produções.
A ceramista também salienta que o evento constitui uma oportunidade relevante de aproximar a cerâmica do público que ainda não tinha tido contato com essa modalidade artística. O local escolhido para a exposição foi estratégico, já que o saguão da ALMT recebe fluxo constante de diferentes tipos de visitantes, garantindo maior alcance e visibilidade para o trabalho realizado.

Os participantes da mostra possuem origens profissionais variadas e trajetos pessoais distintos. Entre os expositores encontram-se profissionais da psicologia, odontologia, design de interiores e pessoas aposentadas que encontraram na cerâmica um instrumento de expressão criativa e, frequentemente, uma atividade com benefícios terapêuticos.
Acompanhando os alunos, a exposição conta com contribuições de artistas estabelecidos, como Lígia Maciel, Carolina Teixeira e Luciana Wolf, que desenvolvem parcerias contínuas com Dalva em projetos envolvendo cerâmica e processos de queima das peças. O professor Samuel Suniaga, especialista em trabalho com torno de oleiro, também integra a mostra com suas criações e compartilha conhecimento sobre essa técnica ancestral.
Segundo Samuel, o torno constitui uma ferramenta de origem remota que funciona pela colocação da argila em movimento rotativo, permitindo ao ceramista guiar essa rotação para formar estruturas, predominantemente circulares. A partir disso, o artesão realiza modificações para definir o formato final da peça. Para ele, vivenciar essa experiência transformadora é benéfico, pois muitos chegam inseguros quanto à sua capacidade, mas conseguem superar essas limitações com prática e dedicação.
O público terá acesso a produções exclusivas, tanto peças de uso quanto decorativas, apresentadas com preços acessíveis. Cada objeto demanda investimento considerável de tempo, precisão e atenção em todas as fases da confecção, começando pela modelagem até chegar à etapa final de queima. Segundo Dalva, uma pequena peça necessita aproximadamente vinte dias para estar completa. Uma xícara, por sua vez, requer no mínimo trinta dias devido à necessidade de secagem gradual, evitando fissuras. Em Cuiabá, com seu clima quente, as peças precisam ser envolvidas em tecido e plástico durante vários dias para controlar a velocidade de desidratação. Dependendo da dimensão e características específicas, todo o processo pode estender-se por vários meses.
Célio Henrique dos Reis Gonçalves, artista conhecido como Pixote, é outro destaque na exposição, apresentando trabalhos inspirados na arte marajoara. Pixote utiliza materiais cerâmicos reciclados, incluindo tijolos desfeitos, que são transformados em novas criações. Seus trabalhos são totalmente manuais e desenhados, demonstrando como materiais descartáveis podem ganhar nova vida. O artista também produz vasos e fontes em variados tamanhos, aproveitando a exposição para divulgar seu trabalho e trocar experiências com demais criadores presentes.
Elias Santos, secretário do Instituto Memória do Poder Legislativo, reafirma que a realização dessas mostras no saguão principal atende determinação da administração da ALMT, objetivando ampliar o alcance dos criadores locais e converter o espaço em um ambiente dedicado à promoção cultural. O saguão recebe diariamente elevado número de pessoas, incluindo colaboradores, turistas, cidadãos em busca de serviços públicos e pessoas transitando pelas dependências legislativas.
De acordo com Elias, a instituição pretende consolidar o saguão de entrada como vitrine para divulgar trabalhos de artistas locais através de diversas manifestações culturais. Nesta oportunidade, destaca-se a apresentação dos trabalhos do Ateliê Dalva Zulli, incluindo as criações de seus alunos que aprendem as técnicas da cerâmica. Ele também valoriza a qualidade das obras produzidas pelos participantes e reforça a relevância do trabalho desenvolvido pelo ateliê para a formação de novos profissionais nas artes cerâmicas.
Continuidade da programação artística nos próximos meses - O calendário cultural da ALMT prossegue ao longo dos meses subsequentes, oferecendo diferentes oportunidades para que criadores, artesãos e colaboradores da instituição divulguem suas produções. Entre 9 e 13 de novembro, o espaço de entrada receberá a Exposição de Arte Sacra, uma seleção de obras que abordam temáticas de fé, espiritualidade e patrimônio cultural. Durante 1º, 2 e 3 de dezembro, será apresentada a iniciativa Prata da Casa, que permite aos servidores da ALMT mostrar seus dons e realizações artísticas.
O plano cultural inclui ainda o lançamento de um novo selo comemorativo alusivo aos 190 anos da instituição legislativa. Esta atividade contará com a exposição de peças pessoais do piloto Ayrton Senna, como seu capacete e prêmios conquistados.
Segundo Elias, após período de restrição no uso do espaço por causa do processo eleitoral e da presença da corte eleitoral regional, a ALMT retoma suas atividades com programação ampliada e robusta que reconhece artistas, valoriza a produção artesanal, incentiva o empreendedorismo e apresenta os talentos que integram a comunidade local.
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