- Pela Redação
- 29/05/2023
Adriana Costa
O dia 25 de janeiro marca o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, data que integra o Janeiro Roxo, campanha dedicada à conscientização, ao diagnóstico precoce e ao enfrentamento do estigma ainda associado à doença. Apesar dos avanços no tratamento, a hanseníase continua sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil, especialmente quando o diagnóstico ocorre de forma tardia.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica que acomete principalmente a pele e os nervos periféricos. Em muitos casos, os primeiros sinais são discretos e podem passar despercebidos: dormência, formigamento, perda de sensibilidade, diminuição da força muscular ou sensação de choque nos membros. Essas manifestações iniciais, quando não reconhecidas a tempo, podem evoluir para sequelas permanentes.
Nesse contexto, a ultrassonografia tem se consolidado como uma importante ferramenta complementar no diagnóstico e no acompanhamento da hanseníase. Trata-se de um exame seguro, acessível e não invasivo, que utiliza ondas sonoras para gerar imagens detalhadas das estruturas do corpo, sem o uso de radiação.
No caso da hanseníase, o ultrassom permite avaliar os nervos periféricos de forma direta, identificando alterações como espessamento, inflamação e mudanças na arquitetura interna dos nervos. Essas alterações podem ser detectadas mesmo quando ainda não há sinais clínicos evidentes, contribuindo para o diagnóstico mais precoce da doença.
Além de auxiliar na identificação do comprometimento neural, a ultrassonografia também é útil para diferenciar a hanseníase de outras condições que causam sintomas semelhantes, como neuropatias associadas ao diabetes, doenças inflamatórias ou compressões nervosas. Essa diferenciação é fundamental para garantir o tratamento adequado e evitar atrasos no cuidado.
Outro aspecto relevante é o papel do ultrassom no acompanhamento dos pacientes já diagnosticados. O exame pode ser utilizado para monitorar a resposta ao tratamento, identificar episódios de reação hansênica e avaliar a evolução das alterações nos nervos ao longo do tempo. Com isso, contribui para decisões clínicas mais seguras e individualizadas, reduzindo o risco de incapacidades físicas e funcionais.
É importante destacar que a ultrassonografia não substitui a avaliação clínica nem os critérios diagnósticos tradicionais da hanseníase, mas agrega informações valiosas ao cuidado integral do paciente. A integração entre exame clínico, exames laboratoriais e métodos de imagem fortalece o diagnóstico e melhora o acompanhamento da doença.
Durante o Janeiro Roxo e, especialmente, no Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, reforçar a importância do diagnóstico precoce é essencial. O acesso à informação, à tecnologia e a profissionais capacitados faz toda a diferença para interromper a transmissão, iniciar o tratamento no momento adequado e preservar a qualidade de vida das pessoas afetadas. Combater a hanseníase é um compromisso coletivo, que passa pelo conhecimento, pelo cuidado e pela superação do preconceito.
Dra. Adriana Costa é médica radiologista, especialista em radiologia pediátrica.
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