- Pela Redação
- 29/05/2023
O Globo
Mesmo antes de invadir a capital da Venezuela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia decidido o que aconteceria depois que o líder do país, Nicolás Maduro, saísse de cena. Trump não daria seu apoio a María Corina Machado, a líder da oposição que comandou uma campanha eleitoral bem-sucedida contra Maduro em 2024 e que tinha maior legitimidade popular para liderar a nação. Nos bastidores, o americano chegou a essa conclusão com base em vários fatores decisivos, incluindo avaliações de inteligência americana, o desgaste da relação entre María Corina e autoridades em Washington e, segundo fontes próximas à Casa Branca, a decisão dela de aceitar o Prêmio Nobel da Paz, honraria que Trump cobiçou abertamente.
Se ela tivesse se recusado e dito: ‘não posso aceitar porque [o prêmio] é de Donald Trump’, ela seria hoje a presidente da Venezuela — disse uma das fontes ao Washington Post, acrescentando que, embora María Corina tenha dedicado a honraria a Trump, apenas o fato de tê-la aceitado foi um “pecado capital” para o presidente americano.
Ao invés disso, no fim de semana, após a invasão americana ter terminado com Maduro sob custódia, Trump disse achar que seria “muito difícil” para María Corina ser a líder no país. O americano não mediu palavras: “é uma mulher muito simpática, mas não tem respeito”, destacou ele, que, contrariando às expectativas, deixou no comando a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez. Para María Corina, os comentários de Trump foram um duro golpe — e representaram uma ruptura pública dos EUA com uma líder que passou mais de um ano tentando se aproximar do republicano.
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