- Pela Redação
- 29/05/2023
O pastor Márcio Poncio, que cumpre prisão domiciliar desde julho, tornou-se alvo de mandados de busca e apreensão expedidos pela Polícia Federal durante a 9ª fase da "Operação Unha e Carne" na manhã desta quinta-feira (29/10). Os procedimentos foram realizados em endereços vinculados ao religioso, dando prosseguimento às investigações iniciadas na 5ª fase da mesma operação.
Juntamente com Poncio, Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do contraventor carioca Adilsinho, também foi alvo de mandados de busca e apreensão. Loyola também foi preso em domiciliar durante a mesma operação, em julho do ano anterior.
Conforme comunicado oficial da Polícia Federal, os investigados integram uma organização criminosa estruturada com atividades direcionadas a práticas ilícitas de movimentação de recursos financeiros e encobrimento de patrimônio. A corporação sustenta que os suspeitos gerenciam uma "sofisticada estrutura patrimonial" compreendendo propriedades de alto padrão, frotas de veículos, aeronaves particulares e múltiplas empresas, todas utilizadas presumivelmente para operacionalizar esquemas de movimentação ilegal de recursos originários de atividades criminosas.

A infraestrutura de bens descoberta pela investigação estaria distribuída entre indivíduos que servem como intermediários, com documentações em nomes de parentes, associados e terceiros coniventes com o esquema.
De acordo com o órgão investigador, os suspeitos utilizavam diversos mecanismos para ocultação de origem dos recursos, incluindo transações em numerário sem transparência, fluxos financeiros sem registros adequados e a constituição de empresas nacionais e internacionais. A PF também aponta indícios de aproveitamento de estruturas religiosas e empresas holding para facilitar as operações ilícitas.
A Polícia Federal executou aproximadamente 4 mandados de busca e apreensão em imóveis comerciais localizados na Barra da Tijuca, região nobiliária do Rio de Janeiro, todos com vínculos comprovados ao pastor. Conforme as investigações, essas propriedades funcionariam como "bases operacionais e gerenciais" da suposta organização criminosa.

Segundo informações veiculadas pela emissora G1, a deflagração dessa nova etapa da operação ocorreu após análise e extração de dados dos aparelhos celulares pertencentes a Márcio Poncio, o que proporcionou informações determinantes para o prosseguimento das investigações.
Na fase anterior, realizada em julho, a polícia investigava transferências financeiras efetuadas por facções ligadas ao comercio ilícito de cigarros contrabandeados e exploração de jogo do bicho, que teriam repassado valores para servidores públicos. A conexão de Poncio com essa rede criminosa seria estabelecida através de seus investimentos e participações em empresas do setor tabageiro.

Márcio Poncio é personalidade de destaque na esfera religiosa brasileira, tendo fundado a Igreja Pentecostal Anabatista e mantendo relacionamento institucional com a Igreja da Nuvem. Ele é reconhecido publicamente como pai de Sarah Poncio, influenciadora digital e parlamentar estadual, e de Saulo Poncio, artista musical que atua profissionalmente no cenário fonográfico nacional.
Em sua vida pessoal, Márcio é casado com Simone Poncio, com quem recentemente acolheu um novo membro na família através de procedimento de reprodução assistida. O nascimento dessa criança ocorreu durante o período em que o casal enfrentava restrições de liberdade impostas pela justiça.
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