- Pela Redação
- 29/05/2023
Agosto marca a tradicional época de empinar pipas, quando os ventos mais fortes favorecem essa brincadeira entre crianças e adolescentes. Porém, essa atividade recreativa traz consigo riscos significativos não apenas para quem a pratica, mas também para pedestres, ciclistas, motociclistas e condutores de veículos.
Os perigos vão além dos acidentes causados por materiais cortantes. Pipas podem entrar em contato com redes elétricas, provocando descargas fatais, curtos-circuitos, ruptura de cabos e apagões que afetam comunidades inteiras. Dados demonstram a gravidade: entre janeiro e julho de 2026, foram registradas 259 ocorrências envolvendo pipas que danificaram a rede elétrica e deixaram consumidores sem energia.
O Perigo Invisível do Contato Elétrico
O risco mais grave ocorre quando a pipa ou sua linha encosta na fiação elétrica. Uma simples interferência pode desencadear acidentes fatais e comprometer o fornecimento de energia em áreas extensas. Quando isso acontece, nunca se deve tentar recuperar o brinquedo manualmente.
Muitas pessoas acreditam que materiais como madeira e bambu oferecem proteção contra choques elétricos. Essa é uma concepção perigosa. Se estiverem úmidos ou sujos, esses materiais conduzem corrente elétrica com facilidade. Além disso, a simples aproximação de qualquer objeto de uma estrutura energizada pode gerar um arco elétrico de voltagem extremamente alta.
A orientação essencial é clara: abandone o brinquedo imediatamente. Mantenha distância segura da estrutura e acionne a Energisa pelos canais oficiais de atendimento para que técnicos especializados resolvam a situação.
Materiais Cortantes Multiplicam os Riscos
O uso de cerol e linha chilena potencializa significativamente os perigos. Essas substâncias abrasivas transformam a linha em uma lâmina que corta com facilidade a isolação e os cabos da rede elétrica. O resultado são apagões mais frequentes e um risco extremo para usuários das vias.
Componentes metálicos, como fios de metal ou aplicações de papel-alumínio, também aumentam consideravelmente a condutividade e a possibilidade de choque elétrico. A recomendação é evitar completamente qualquer elemento metálico na confecção da pipa ou do carretel.
Acidentes Mais Frequentes Registrados
Segundo informações do Corpo de Bombeiros, os incidentes mais graves envolvem motociclistas e ciclistas atingidos no pescoço por linhas cortantes, quedas de altura ao tentar recuperar uma pipa, atropelamentos durante a correria atrás do brinquedo e descargas elétricas.
Quando a linha possui material abrasivo, ela funciona como uma lâmina afiada. Dependendo da velocidade do deslocamento e da tensão do fio, podem ocorrer lesões profundas que afetam vasos sanguíneos, estruturas das vias aéreas e outros pontos vitais do pescoço. Essas feridas provocam hemorragias graves com risco de morte iminente.
Existe ainda um segundo mecanismo de trauma: mesmo que o corte não seja profundo, o indivíduo pode perder o controle do veículo por susto, caindo ou colidindo. Portanto, uma única ocorrência pode resultar em dois tipos de lesão simultânea.
Para pedestres, linhas esticadas atravessadas em caminhos podem enroscar nas pernas, provocar tropeços e quedas violentas, particularmente se a pessoa estiver em movimento rápido.
Primeiros Socorros em Caso de Corte
Se alguém sofrer ferimento causado por linha cortante, o primeiro passo é avaliar a extensão da lesão. Se houver sangramento ativo, faça compressão direta no local com gaze, compressa ou pano limpo, mantendo pressão constante.
Situações que exigem atendimento emergencial imediato incluem: cortes profundos na região do pescoço ou rosto, sangramento intenso, dificuldade respiratória, alteração de consciência ou sinais de choque. Nesses casos, ligue para o Corpo de Bombeiros pelo número 193.
Se houver qualquer objeto ou fragmento da linha encravado na ferida, não o remova. A extração inadequada pode agravar a lesão e aumentar a hemorragia.
Locais Adequados para a Prática Segura
Empinar pipa não é proibido, mas deve ocorrer em espaços apropriados e seguros. A regra fundamental é escolher áreas abertas completamente livres de fiação elétrica. Os locais ideais são campos abertos, parques e áreas de lazer distantes de fiação, ruas movimentadas e rodovias. Pais e responsáveis devem acompanhar e orientar continuamente as crianças.
Recomendações Essenciais para Segurança
Utilize apenas linha lisa feita de algodão ou nylon simples. Nunca use cerol, linha chilena ou outros materiais cortantes. Evite empinar pipas em vias públicas ou sob a rede elétrica. Escolha locais sem tráfego de pedestres, ciclistas e veículos. Não coloque materiais metálicos na pipa ou rabiola. Não tente resgatar pipas ou linhas presas na fiação. Não forneça materiais ilegais a terceiros. Denuncie pontos de venda irregulares às autoridades competentes.
Legislação e Fiscalização em Cuiabá
A Secretaria Municipal de Ordem Pública realiza fiscalização por meio de rondas, campanhas educativas e investigação de denúncias. Ao identificar infração, agentes apreende materiais e lavram auto de infração conforme o Código de Posturas.
A Lei Municipal nº 6.652/2021, atualizada pela Lei nº 7.485/2026, proíbe a comercialização e uso de materiais cortantes na capital. A Lei Estadual nº 8.845/2008 estende essa proibição a todo Mato Grosso. Multas variam de R$ 1.000 a R$ 1.354,43 para usuários e R$ 5.000 a R$ 6.772,21 para comerciantes, além de apreensão de mercadorias e risco de cassação do alvará.
Responsabilidade Civil e Penal
As atualizações de 2026 estabelecem responsabilização direta em casos graves. Se o uso de linha cortante resultar em lesão corporal ou morte de pessoa ou animal, o responsável responderá nas esferas civil e penal. Quando o infrator é menor, a multa recai sobre pais ou responsáveis legais. Em situações com ferimentos graves ou morte, os responsáveis respondem civil e criminalmente.
A população pode denunciar venda ou uso de linhas cortantes anonimamente pelo portal oficial sorp.cuiaba.mt.gov.br.
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