Censo 2022: Mato Grosso concentra 81,6 mil moradores em favelas e comunidades urbanas

IBGE divulga dados demográficos sobre população residente em favelas de Mato Grosso, com forte concentração em Cuiabá



O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou os resultados do Censo Demográfico 2022 referentes à população, área territorial e densidade demográfica das favelas e comunidades urbanas identificadas em todo o Brasil.

De acordo com os dados, Mato Grosso registra 81.683 moradores nessas localidades, ocupando a 23ª posição entre as unidades da Federação e representando aproximadamente 0,5% da população brasileira residente em favelas e comunidades urbanas.

O levantamento evidencia a concentração significativa desse fenômeno urbano na capital estadual, fornecendo informações essenciais para orientar políticas públicas de habitação, infraestrutura e regularização fundiária.

Posicionamento entre os estados

Em comparação com outras unidades da Federação, Mato Grosso apresenta números substancialmente menores que os grandes polos urbanos. São Paulo lidera com 3.577.658 moradores, seguido pelo Rio de Janeiro com 2.126.091. Pará, Amazonas e Bahia completam o top 5 com populações de 1.520.133, 1.363.007 e 1.362.707 habitantes, respectivamente.

Proporcionalmente, a população de favelas paulista é 44 vezes maior que a mato-grossense, enquanto Rio de Janeiro supera o estado em 26 vezes. O Pará possui cerca de 19 vezes mais moradores nessas áreas. Por outro lado, Mato Grosso supera estados como Acre, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Roraima.

Participação na região Centro-Oeste

No âmbito regional, o Centro-Oeste totaliza 385.925 pessoas vivendo em favelas e comunidades urbanas. Mato Grosso concentra aproximadamente 21% desse contingente, ocupando a terceira posição na região. O Distrito Federal lidera com 195.577 moradores, seguido por Goiás com 92.224, enquanto Mato Grosso do Sul apresenta apenas 16.441 residentes nessas áreas.

Concentração em Cuiabá

A análise por município revela uma distribuição territorial altamente concentrada na Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá. Da população estadual em favelas e comunidades urbanas, 88% (72.224 pessoas) residem na capital. Várzea Grande apresenta o segundo maior contingente com 8.233 moradores, enquanto Sinop, Rondonópolis e Cáceres registram números significativamente menores: 610, 471 e 145 habitantes, respectivamente.

Caso Cuiabá fosse considerada isoladamente como unidade federativa, sua população em favelas superaria a de estados inteiros como Acre, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Roraima, evidenciando a importância da capital para políticas de redução de desigualdades territoriais e ampliação de acesso a serviços públicos.

Maiores comunidades urbanas da capital

As seis principais comunidades urbanas de Cuiabá concentram mais de 35 mil moradores, aproximadamente metade da população residente em favelas estaduais. A Região do Santa Laura lidera com 8.197 habitantes, seguida pela Região do Parque das Águas Nascentes (7.062), Região do Paraíso (6.446), Jardim Vitória (5.504), Região do Passaredo (4.150) e Região do Residencial do Coxipó (4.014).

Extensão territorial

As favelas e comunidades urbanas ocupam 19,951 quilômetros quadrados no estado. Cuiabá concentra 17,156 km² (86% do total), enquanto Várzea Grande ocupa 2,540 km². Os demais municípios apresentam áreas inferiores a 0,2 km². É importante ressaltar que o cálculo territorial foi realizado a partir dos limites dos setores censitários, podendo incluir espaços urbanos próximos não ocupados.

Densidade demográfica elevada

A densidade demográfica das favelas mato-grossenses alcança 4.104,87 habitantes por quilômetro quadrado, superando a média regional do Centro-Oeste (3.784,64 hab./km²). Sinop apresenta o maior índice (5.285,55 hab./km²), seguida por Cáceres (4.647,14), Rondonópolis (4.512,96), Cuiabá (4.220,99) e Várzea Grande (3.242,88).

Composição demográfica

A população negra, incluindo pessoas que se declaram pretas ou pardas, representa 81,4% dos 81.683 residentes em favelas e comunidades urbanas de Mato Grosso. Esse contingente totalizou 66.514 pessoas, compostas por 52.579 pardos e 13.935 pretos. A população branca soma 14.892 (18,2%), enquanto indígenas e amarelos representam 173 e 102 pessoas, respectivamente.

Esse perfil acompanha a tendência nacional, onde aproximadamente 56,8% dos moradores são pardos, 26,6% brancos e 16,1% pretos. Nas seis maiores comunidades urbanas de Cuiabá, a população parda constitui o maior segmento, embora haja presença significativa de populações branca e preta.

Distribuição por gênero

A composição por sexo mostra equilíbrio na distribuição populacional, com leve predominância feminina. Mato Grosso registrou 40.889 mulheres contra 40.794 homens. Em Cuiabá, vivem 36.244 mulheres e 35.980 homens; em Várzea Grande, 4.055 mulheres e 4.178 homens. As demais cidades apresentam distribuições igualmente equilibradas.

Nas seis principais comunidades urbanas, o padrão se repete. Na Região do Santa Laura residem 4.114 mulheres e 4.083 homens; na Região do Paraíso, 3.235 mulheres e 3.211 homens; no Jardim Vitória, 2.793 mulheres e 2.711 homens.

Implicações para políticas públicas

As informações divulgadas ampliam o conhecimento sobre características territoriais e demográficas da população residente em favelas e comunidades urbanas, permitindo identificar com precisão a distribuição dessas localidades no território estadual.

Os resultados contribuem para planejamento, implementação e avaliação de políticas públicas voltadas a habitação, saneamento, mobilidade urbana, educação, saúde, assistência social e regularização fundiária, fortalecendo ações para redução de desigualdades e melhoria das condições de vida.

A delimitação das favelas foi realizada a partir dos setores censitários, assegurando padronização metodológica e comparabilidade dos resultados em todo o território nacional.

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