- Pela Redação
- 29/05/2023
Uma voz isolada consegue comover. Porém, quando múltiplas vozes se unem, ganham poder transformador. É precisamente neste espaço de convergência entre narrativas, emoções e sons que o maestro Carlos Eduardo Cursino Ferraz, mais conhecido como Carlos Taubaté, construiu seu percurso profissional. Com 61 anos, ele sustenta a crença de que a música transcende o simples deleite auditivo, funcionando como instrumento para cultivar sensibilidade, fortalecer relacionamentos e construir cidadania.
Iniciando sua jornada em São Paulo, Taubaté consolidou sua obra em Mato Grosso através de décadas de atuação. Sua experiência compreende trabalhos junto a organismos como o Tribunal de Contas Estadual (TCE-MT), a Casa de Leis (ALMT) e o Tribunal Judiciário (TJMT), espalhando a música por variados ambientes e audiências distintas.
Presentemente, coordena o Coral da Prefeitura de Cuiabá, com ensaios realizados nas dependências do Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC). Imerso em partituras, técnicas vocais e indivíduos que redescobrem o prazer de cantar coletivamente, o maestro persevera em sua concepção da arte como meio de mudança social.

"Tenho convicção de que a música, assim como as artes em geral, é essencial em escala global, mas particularmente aqui em Mato Grosso, que ainda vejo como um estado em construção, ela representa um componente vital para o aperfeiçoamento cultural e, consequentemente, para a consolidação da consciência cidadã", declara.
Conforme sua perspectiva, a evolução de uma nação não pode ser calculada apenas pelo indicador econômico. O desenvolvimento artístico e cultural deve acompanhar paralelamente esse progresso, cimentando raízes culturais e multiplicando chances de acesso ao conhecimento.
Ao refletir sobre Mato Grosso, Taubaté reconhece seu acervo cultural expressivo, mas observa que persistem entraves para democratizar o contato populacional com manifestações artísticas.
"O estado possui uma tradição musical vibrante, com artistas nas artes visuais em grande ascensão. Recentemente, constituiu-se a primeira filarmônica estadual, sob batuta do maestro Murilo Alves, representando um marco significativo. Cuiabá gradualmente conquista seu espaço de desenvolvimento, com as expressões artísticas acompanhando este crescimento urbano."
Apesar dos progressos, avalia que a posição geográfica distante dos polos culturais permanece como obstáculo para quem almeja estudo e referências musicais. Contudo, sublinha o papel fundamental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) na capacitação de futuros maestros.
"Existem diversos corais no estado, porém a maioria ainda está em formação. Um grande desafio é nosso isolamento relativo, a distância de grandes metrópoles culturais, escassez de apresentações ao vivo que sirvam de referência, mesmo considerando a disponibilidade de internet e plataformas de vídeo. Mas a realidade é que assistir um espetáculo presencialmente é incomparável. Felizmente, o curso de maestria oferecido pela UFMT representou avanço monumental, elevando significativamente a qualificação de regentes e, por extensão, a proficiência dos corais mato-grossenses."

Além da Música: Transformações Humanas
Para quem integra um coral, o benefício extrapola o domínio técnico-musical. Participar dessa experiência coletiva possibilita aprimoramento de confiança, escuta atenta ao próximo e valorização da contribuição individual dentro de um projeto colaborativo.
Nesta dimensão humana que Taubaté identifica uma das maiores contribuições de sua atuação. Em sua avaliação, essa prática cultiva capacidades que acompanham os participantes bem após encerrarem os ensaios.
"Os ganhos são extraordinários! Como mencionei, ocorre aprofundamento cultural dos integrantes, e especialmente porque trabalhar com textos potencializa o crescimento literário simultâneo. Destaco também a integração social, a superação da timidez e, principalmente, o fortalecimento de funções cognitivas basilares: memória, concentração e disciplina."
Para uma pessoa introvertida, encontrar determinação para se apresentar cantando pode simbolizar uma vitória pessoal. Para outros, o coral representa amizades genuínas, sentimento de pertencimento e revelação de talentos até então desconhecidos.
Neste convívio de diferentes timbres, todos absorvem que a perfeição harmônica não resulta de vozes ensurdecedoras, mas da capacidade de ouvir o outro e honrar seu espaço sonoro. Uma sabedoria musical aplicável ao cotidiano.
A Permanência da Emoção Musical
O canto em grupo estabelece uma conexão profunda com a plateia. Cada performance concentra meses de dedicação, medos superados e sensibilidades que encontram na música seu veículo expressivo.
Para Taubaté, essa interação entre intérpretes e espectadores constitui elemento insubstituível da vivência artística.
"Acredito que essa combinação de energias é imprescindível. Todos saem transformados deste encontro."
A brevidade desta resposta expõe como o regente enxerga a arte: não meramente como reunião de executores de partituras, mas como geração de encontros que unem pessoas e mobilizam sentimentos profundos.
Agora aos 61 anos, Taubaté mantém sua entrega ao aprendizado musical e à revelação de novos talentos vocais mato-grossenses. Seu histórico revela que o legado de um maestro não se esgota nos eventos musicais realizados, mas perpassa os indivíduos que descobrem na arte sua possibilidade de evolução.
Pois, quando a música termina, os aplausos ecoam em silêncio e a multidão retorna às suas rotinas, aquilo que a arte musical semeia em cada alma continua germinando indefinidamente.
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