Arquidiocese de Cuiabá marca celebração de Nossa Senhora Aparecida com manifesto contra intolerância religiosa

Nesta segunda-feira (12), a comunidade católica de Cuiabá se une em festas marianas e reafirma compromisso com respeito aos símbolos sagrados.



A Arquidiocese de Cuiabá se prepara para um dos principais eventos do calendário litúrgico: a solenidade de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, celebrada nesta segunda-feira (12 de outubro). Milhares de fiéis devem participar de missas, procissões e atividades marianas em Cuiabá, Várzea Grande e municípios vizinhos. A celebração deste ano ganha destaque especial com um apelo institucional pelo respeito aos símbolos religiosos e pela superação de episódios recentes de desrespeito e vandalismo contra a comunidade católica.

Os episódios motivadores dessa reflexão envolvem ataques verbais, físicos e legislativos, frequentemente ligados a disputas políticas. Entre eles, destaca-se a depredação de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida na Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena. O padre Deusdedit Monge, administrador da Arquidiocese e cura da Catedral, fez uma condenação clara desses atos, classificando-os como manifestações de fanatismo e extremismo.

O administrador destacou que tais atos refletem comportamentos isolados de pessoas movidas por fundamentalismo. Segundo sua avaliação, esses indivíduos agem como "lobos solitários" e acabam desacreditando a própria instituição religiosa. Padre Deusdedit enfatizou que críticas recentes contra a Igreja são "infundadas" e que partem de quem não compreende sua estrutura e seus valores.

Padre Deusdedit Monge

A Arquidiocese reafirmou sua postura de neutralidade política e criticou o uso instrumentalizado da fé durante o período eleitoral. Conforme expressa o administrador, a Igreja Católica não se identifica com projetos políticos ou partidários específicos. Seu compromisso é levar princípios evangélicos para dentro das estruturas políticas, não o contrário.

Padre Deusdedit ressaltou: "A Igreja quer levar os valores cristãos, os princípios do evangelho, para dentro dos partidos, e não trazer os partidos para dentro da Igreja, que divide a Igreja". Ele afirmou que a instituição sempre defenderá a democracia, a soberania, os direitos das pessoas e uma sociedade mais justa, solidária e fraterna, princípios que formam a base da doutrina social católica.

Apesar das tensões ideológicas atuais, a liderança da Arquidiocese demonstrou compromisso com o diálogo fraterno e o respeito mútuo entre diferentes crenças. A instituição enfatizou sua valorização histórica por todas as tradições religiosas e pediu reciprocidade no respeito aos símbolos sagrados católicos.

"A Igreja Católica sempre teve e sempre terá muito apreço por todas as crenças, todas as tradições religiosas. Nós somos a Igreja do diálogo fraterno com todos. E queremos também que nossos símbolos sagrados sejam respeitados por todos, assim como nós respeitamos todos os símbolos das demais religiões", destacou o padre.

Encerrando suas reflexões sobre os recentes ataques nacionais contra a imagem de Nossa Senhora, Padre Deusdedit transmitiu um apelo de paz: "Que Nossa Senhora Aparecida, mãe do povo brasileiro, possa nos ajudar a termos uma nação mais humana, fraterna e solidária, e que ela nos guarde nas dobras do seu manto sagrado".

Transição na liderança arquidiocesana

Desde o início de 2024, a Arquidiocese passa por processo de transição após a saída de Dom Mário Antônio da Silva. O padre Deusdedit explicou que a seleção do novo arcebispo está sob responsabilidade da Nunciatura Apostólica, ainda em fase de discernimento.

O administrador manifestou esperança de que a nomeação ocorra antes do final deste ano, possivelmente entre novembro e dezembro, embora nenhuma data oficial tenha sido confirmada. A Arquidiocese anseia pela definição logo da nova liderança pastoral.

Quanto a possíveis mudanças administrativas com a chegada do novo arcebispo, Padre Deusdedit tranquilizou os fiéis ressaltando a continuidade institucional característica da Igreja Católica. O futuro líder atuará em plena comunhão com o Papa Francisco e com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

"Os bispos que chegam dão continuidade ao trabalho pastoral anterior. A Igreja tem dois mil anos de história, as pessoas passam, mas a Igreja de Cristo continua. A doutrina não muda, permanece a mesma. O novo arcebispo será alguém bem integrado na comunhão eclesial e buscará fortalecer a comunhão da Arquidiocese", concluiu.

Programação das celebrações

A paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Coxipó, oferece procissões, Missa Magnífica às 5h e 18h do dia 12, chá com bolo, Missa das Crianças e quermesse.

A Catedral e paróquias como São Gonçalo, São Sebastião, São João Bosco, Sagrada Família, Universitária São José Operário, CPA e Imperial realizam celebrações nos dias 11 e 12 de outubro, com missas solenes, procissões luminosas e eventos marianos.

As paróquias Cristo Rei, Nossa Senhora da Guia e Nossa Senhora do Pantanal promovem eventos especiais, incluindo missas itinerantes em comunidades como Bom Jesus da Guarita, Passagem da Conceição e Distrito Espinheiro.

Os santuários da Arquidiocese também participam: Nossa Senhora do Bom Despacho com missa às 7h; Nossa Senhora Auxiliadora às 19h; São João Paulo II às 19h, inaugurando a festa daquele santo; e Nossa Senhora da Salette com procissão às 7h, missa às 10h e almoço comunitário.

Na região metropolitana, municípios como Jangada, Rosário Oeste, Acorizal, Barão de Melgaço e Santo Antônio de Leverger realizam programações locais com procissões, missas solenes e celebrações em comunidades rurais e urbanas ao longo do dia 12 de outubro.

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