- Pela Redação
- 29/05/2023
O postulante à Presidência da República pela legenda Missão, Renan Santos, participou de entrevista televisiva na quarta-feira (26) transmitida pela emissora Globo.
A sabatina foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli direto dos Estúdios Globo, sediados no Rio de Janeiro. Este foi o primeiro episódio de uma série de entrevistas com os principais postulantes ao cargo máximo do Executivo Federal, exibidas posteriormente ao "Jornal Nacional", e não durante sua transmissão.
A emissora convidou seis candidatos melhor posicionados conforme levantamento de intenção de votos realizado pelo instituto Quaest em 14 de agosto. O sequenciamento das entrevistas foi determinado por sorteio, com observadores dos partidos presentes.
Programação completa das sabatinas:
Verificação das principais assertivas:
A equipe de verificadores analisou as principais colocações feitas pelo candidato. Veja a análise completa:
"Os Estados Unidos não dispõem nem das terras raras no seu território, nem da extração, nem do processamento."
Esta informação é classificada como #FAKE.
Conforme documentação oficial americana e órgãos internacionais especializados, os EUA possuem reservas significativas de terras raras, além de capacidade de extração e processamento. Terras raras constituem um conjunto de dezessete componentes químicos imprescindíveis na fabricação de aparelhos eletrônicos, turbinas de energia renovável e equipamentos militares.
O levantamento "Resumo de Commodities Minerais" divulgado em maio pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registra que o território americano contém 1,9 milhão de toneladas de óxidos de terras raras.
No tocante à extração, destaca-se a MP Materials, organização nacional que opera terras raras na jazida e refinaria Mountain Pass, localizada na Califórnia. Informações fornecidas em junho de 2026 pela MP Materials à Comissão de Valores Mobiliários norte-americana indicam que a corporação produziu 50.692 toneladas de óxidos de terras raras em 2025, complementado por 2.599 toneladas de óxido de neodímio, com separação de terras raras pesadas em estágio de implantação.
Quanto ao processamento, a Agência Internacional de Energia classifica os Estados Unidos entre os principais impulsionadores da diversificação de refinação fora de território chinês, que detém praticamente exclusividade nesse campo. Conforme relatório "Perspectivas Globais para Minerais Críticos 2026" publicado em maio, a produção refinada americana alcançou 5 mil toneladas em 2025, com projeções de 9 mil toneladas em 2030 e 11 mil toneladas em 2040.
"Quem é o país que dispõe das segundas maiores reservas globais de terras raras? É justamente o Brasil."
Esta informação é classificada como #FATO.
De acordo com compilação de informações globais realizada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil detém reserva de 11 milhões de toneladas destes componentes, ocupando a segunda colocação planetária. Este volume é superado unicamente pela China, com 44 milhões de toneladas, e ultrapassa as reservas de Austrália (6,3 milhões), Rússia (3,8 milhões) e Vietnã (3,5 milhões).
A aplicação mais relevante desses componentes encontra-se na produção de ímãs permanentes, artefatos potentes, duráveis e capazes de manter suas propriedades magnéticas durante décadas. Tal característica permite fabricação de elementos menores e mais leves, essencial para tecnologias contemporâneas, turbinas de geração eólica e veículos com propulsão elétrica.
Estes componentes mostram-se cruciais também para a indústria de defesa, estando presentes em aviões de combate, embarcações submarinas e instrumentos equipados com telemetria laser. Precisamente por essa importância estratégica, os valores comerciais são significativos.
"Se os Estados Unidos da América, que são a nação hoje mais poderosa do mundo, não fizeram a lição de casa, deixaram a China ficar com todo o processamento de terras raras do mundo neste instante [...]"
Esta informação é classificada como #NÃOÉBEMASSIM.
Segundo o relatório "Perspectivas Globais para Minerais Críticos 2026", divulgado em 21 de maio pela Agência Internacional de Energia, a China não controla absolutamente todo o processamento de terras raras mundialmente – porém exerce liderança avassaladora no setor, respondendo por 85% de toda a refinação desses elementos em 2025.
Projeções apontam que essa participação chinesa diminua para 73% até 2035. Num cenário alternativo, caso todos os projetos anunciados globalmente entrem em operação na próxima década, o percentual chinês poderia cair para 70%.
"Dentre as principais nações do mundo [...], que têm muito território, muita população e grande economia, e [se] a gente blocar União Europeia, Rússia, Índia, Estados Unidos, China e Brasil, essas são as maiores nações. A única que não dispõe de armas nucleares é o Brasil."
Esta informação é classificada como #FATO.
Entre os países e agrupamento mencionados pelo candidato, o Brasil constitui-se a única nação desprovida de armamento nuclear. A Constituição Federal brasileira estabelece que atividades nucleares em solo nacional devem objetivar fins pacíficos e demandam aprovação do Parlamento Nacional.
Segundo levantamento de janeiro de 2025 do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), apenas nove nações possuem estes artefatos.
A Rússia mantém o maior arsenal, totalizando 5.459 ogivas nucleares, seguida pelos Estados Unidos, com 5.177. Conjuntamente, representam 90% do acervo planetário.
Sequencialmente, encontram-se China (600), França (290) – único integrante europeu detentor de armamento nuclear –, Reino Unido (225), Índia (180), Paquistão (170), Israel (90) e Coreia do Norte (50).
"O PIB do Brasil está próximo de R$ 12 trilhões, [e] a dívida, próximo dos R$ 10 trilhões."
Esta informação é classificada como #FATO.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025 totalizou R$ 12,7 trilhões, conforme anunciado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 3 de março do corrente ano.
Igualmente em 2025, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) encerrou o mês de dezembro em R$ 10,017 trilhões, segundo informações mensalmente divulgadas pelo Banco Central do Brasil.
Dados mais recentes do Banco Central, referentes a junho deste ano, apontam para uma DBGG de R$ 10,809 trilhões.
"Hoje quase 40 milhões de brasileiros vivem direta ou indiretamente sob a influência do crime organizado."
Esta informação é classificada como #NÃOÉBEMASSIM.
Não foram identificadas estatísticas contemporâneas mencionando 40 milhões de brasileiros sob influência de organizações criminosas. Investigação contratada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Datafolha, publicada em maio deste ano, aponta que 68 milhões de brasileiros percebem manifestação de grupos criminosos envolvidos com comercialização de entorpecentes ou milícias em suas regiões de domicílio, representando 41% da população total. Dentre estes, praticamente metade caracteriza tal atuação como "notória" ou "extremamente notória". Contudo, apenas 12% dos participantes afirmaram terem sido forçados a recorrer a serviços disponibilizados pelos criminosos.
A chefe-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, pronunciou-se em entrevista ao jornal "O Globo" que isto pode ser compreendido como um desenvolvimento "favorável" do levantamento, em termos de alcance, pois essa "nova fase, ainda mais severa de exploração da população nesses espaços, permanece circunscrita a certas localidades".
Em junho de 2025, o mesmo instituto Datafolha publicou pesquisa também solicitada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicando que no mínimo 28,5 milhões de pessoas mantêm convivência com organizações criminosas nas regiões onde residem.
O relatório "Governança Criminal na América Latina: Frequência e Associações", desenvolvido pela universidade britânica Cambridge e publicado em agosto de 2025, projetou que entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de indivíduos habitam localidades sob imposição de normas por grupos criminosos.
"[...] especialmente para crimes violentos cometidos com armas, que é basicamente a maior parte dos crimes que assolam a vida dos brasileiros."
Esta informação é classificada como #FATO.
Embora "crimes violentos perpetrados com armas" não constitua categoria formal em nenhum dos dois principais relatórios de segurança e violência no Brasil – o Atlas da Violência e o Anuário Brasileiro de Segurança Pública – análise de publicações recentes destes documentos, divulgados anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), demonstra predominância do emprego de armamento de fogo na generalidade das chamadas "mortes violentas intencionais (MVI)", abrangendo homicídio intencional, feminicídio, latrocínio, lesão corporal com desfecho letal e falecimentos decorrentes de operações policiais em serviço e fora dele.
De acordo com o Atlas da Violência 2026, divulgado em maio, dos 42.590 homicídios legalmente documentados pelo Ministério da Saúde em 2024, 70,1% resultaram do emprego de armamento de fogo, ou seja, 29.870 casos.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 evidencia que armamento de fogo foi utilizado em 63,6% das mortes violentas intencionais de mulheres registradas em 2025. Quando estabelecido o recorte exclusivamente para feminicídio, armas brancas (tais como facas e canivetes) constituem os instrumentos preponderantes utilizados, perfazendo 50,8% dos registros no ano anterior, contrastando com 22,5% referente ao armamento de fogo.
O anuário apresenta ainda informações sobre falecimentos de policiais civis e militares, nos quais armamento de fogo equivale a 88,3% dos instrumentos empregados, em contraste com 6,8% relativo a armas brancas e 4,9% de outras modalidades.
No Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, contendo informações de 2024, as MVI surgem com discriminação dos instrumentos empregados para os ilícitos. O estudo demonstra que, das 44.127 mortes violentas intencionais, 73,8% envolveram uso de armamento de fogo.
"Dentre as metas de desempenho [...], estão rankings ligados à segurança: diminuição do número de violência contra a mulher (estão na casa dos 250 mil todos os anos, isso só os casos reportados) [...]"
Esta informação é classificada como #FATO.
Em sua colocação, o candidato não mencionou modalidade particular de agressão feminina. Porém, conforme a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 2026, o total de ocorrências registradas de violência doméstica contra mulheres somou 286.270 (representando aumento de 2,6% ante o período anterior). Em 2024, haviam sido contabilizados 277.916 registros.
Este número de 2024 foi, inclusive, revisado na edição mais atual do documento. Na versão anterior, o índice previamente divulgado era de 257.659.
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