- Pela Redação
- 29/05/2023
A segunda rodada de audiências públicas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) iniciou-se nesta terça-feira (7), reunindo lideranças do setor empresarial e autoridades governamentais americanas para discussões sobre as tarifas de 25% aplicadas aos produtos de origem brasileira.
Durante os debates, o ex-embaixador Rubens Barbosa manifestou visão pessimista sobre o processo, qualificando-o como uma investigação de caráter unilateral conduzida pela administração americana. Segundo sua análise, o procedimento não configura uma verdadeira negociação entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos.
"Isso é uma investigação unilateral feita pelo governo americano que começou o ano passado", declarou o diplomata. Conforme sua perspectiva, argumentações de natureza técnica e política em favor dos produtos brasileiros foram apresentadas em sessão anterior, porém não receberam consideração adequada, culminando ainda assim na implementação da alíquota de 25%.
Barbosa apontou também para uma segunda investigação em andamento, relacionada a importações originárias de nações com ocorrência de trabalho escravo. Esta segunda medida poderia adicionar 12,5% às tarifas já estabelecidas, totalizando 37,5%. O ex-embaixador frisou que a atual audiência abrange mais de 70 países, não consistindo numa ação direcionada unicamente ao Brasil.
Na avaliação do diplomata, a investigação em progresso objetiva fundamentar juridicamente uma nova tarifa que substitua aquela anulada pela Suprema Corte norte-americana, evitando futuras contestações legais. Esta interpretação levou alguns países europeus a optar pela ausência de representantes nas audiências, reconhecendo que a decisão já estava predeterminada.
Ainda que mantenha perspectiva cética, Barbosa não exclui totalmente a possibilidade de concessões limitadas para itens específicos, como café solúvel, caso empresas brasileiras demonstrem prejuízos a consumidores ou produtores americanos. No entanto, ressaltou que tais exceções seriam restritas e não impactariam significativamente o cenário exportador brasileiro.
Relativamente à participação do senador Flávio Bolsonaro no segundo dia de audiências, Barbosa manifestou ceticismo, indicando que a apresentação possui principalmente objetivo de comunicação doméstica no Brasil, funcionando como defesa contra alegações de envolvimento da família Bolsonaro na origem das tarifas.
O ex-embaixador também comentou ofício enviado pelo Itamaraty à Câmara dos Deputados, no qual o Ministério das Relações Exteriores sinalizou possíveis consequências, inclusive militares, advindas da classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos. Barbosa considerou improvável qualquer operação militar americana em solo brasileiro, fazendo paralelo com a situação do México, onde dez organizações receberam tal classificação sem resultar em intervenção.
Conforme análise do diplomata, o tom do comunicado reflete posicionamentos ideológicos governamentais e dinâmicas políticas domésticas no contexto de aproximação das eleições.
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