- Pela Redação
- 29/05/2023
Após a divulgação de uma carta pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) com tom questionador do resultado eleitoral, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e diversos integrantes da campanha do ex-candidato presidencial se manifestaram reafirmando a confiabilidade do processo que resultou na vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No documento, Flávio não reconhece a derrota nas urnas e menciona alegações de "fraude", sem, contudo, apresentar evidências concretas de qualquer irregularidade no sistema eleitoral. Inicialmente, o texto continha a frase na qual se declarava "o verdadeiro presidente eleito do Brasil", mas momentos depois foi removido e republicado sem essa expressão, referindo-se a si mesmo como "líder" do país.
Em resposta às acusações, o TSE divulgou comunicado informando que qualquer cidadão possui acesso aos arquivos das urnas eletrônicas e pode realizar auditorias independentes dos resultados. A instituição destacou que os Boletins de Urna, o Registro Digital do Voto e os registros técnicos de cada equipamento estão disponibilizados publicamente, contendo informações sobre o funcionamento das máquinas, incluindo horários de operação e quantitativo de votantes.

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Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, também se pronunciou oficialmente a respeito. Em sua nota, enfatizou que o processo eleitoral "transcorreu dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais".
O ministro reafirmou o compromisso da Justiça Eleitoral com a "vontade soberana do eleitorado" e garantiu que o resultado foi entregue com segurança ao país. "Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e a competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança", declarou em comunicado oficial.
Nunes Marques também reiterou que todos os "questionamentos feitos dentro do devido processo legal" serão analisados e respondidos pela instituição.

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Integrantes da campanha de Flávio e apoiadores também emitiram pronunciamentos após conhecer o teor da carta questionadora.
Tarcísio de Freitas, governador reeleito de São Paulo pelo Republicanos, foi um dos primeiros a se manifestar. Em comunicado, destacou que a oposição deve respeitar os resultados das eleições e atuar dentro das instituições democráticas. Embora reconheça a insatisfação de Flávio, ressaltou a importância do caminho institucional: "A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente".
O governador paulista enfatizou que o momento exige "responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte", defendendo que a atuação oposicionista se mantenha dentro das instituições para fortalecer os mecanismos de freios e contrapesos da democracia.
Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio e líder da Oposição no Senado pelo PL, também discordou do teor da carta. Marinho afirmou que não é possível fazer alegações de fraude eleitoral sem apresentar provas documentadas, destacando que "se você faz alguma afirmação, você precisa trazer provas. Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas".

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O senador ainda revelou não ter sido consultado sobre o documento divulgado pelo ex-candidato e questiona como Flávio coordenará a oposição de fora do país.
O União Brasil, que havia apoiado Flávio no segundo turno das eleições, também emitiu nota reconhecendo que o processo eleitoral "transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado".
A Federação União Progressista, composta pelo União Brasil e pelo PP, já havia se posicionado previamente a favor do reconhecimento do resultado. Antônio Rueda, presidente da federação, afirmou que "a soberania popular se manifestou de forma livre" nas urnas.
Outros partidos que declararam apoio a Flávio no segundo turno também reconheceram a vitória de Lula, incluindo Republicanos, Podemos e MDB.
Na quarta-feira à tarde, Flávio divulgou um documento no qual se apresentava como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Poucos minutos depois, removeu a publicação e a republicou sem essa frase específica.
No conteúdo do documento, o senador confirma estar nos Estados Unidos acompanhado pela família e anuncia sua intenção de liderar a oposição do exterior. Ele apresenta acusações de "fraude eleitoral" no segundo turno das eleições, porém não fornece qualquer comprovação de irregularidades no sistema eleitoral.
Flávio cita a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que prorrogou o horário de votação até as 19h no domingo (25), como base para suas alegações. Ele se refere a Zanin como "ex-advogado de Lula" e afirma que o magistrado permitiu uma "impossibilidade matemática".
Conforme dados oficiais do TSE, Lula obteve 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), enquanto Flávio recebeu 59.826.041 votos (48,21%), uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
Informações divulgadas mostram que apenas 34.393 votos foram computados após as 17h do dia da eleição. Mesmo que todos esses votos tivessem sido direcionados ao petista, representariam menos de 1% da diferença final entre os candidatos.
No próprio domingo da eleição, Nunes Marques já havia declarado que a prorrogação do horário de votação não comprometeu o processo: "Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral".
Desde a divulgação dos resultados, Flávio tem questionado o resultado do segundo turno. Inicialmente, afirmou que solicitaria a anulação das eleições. Porém, um dia depois, integrantes de sua campanha relataram à imprensa que ele havia desistido de questionar a validade da votação.
Na terça-feira, aliados informaram que Flávio havia deixado o Brasil. O senador chegou em Miami, nos Estados Unidos, na manhã de quarta-feira, após atravessar a fronteira da Argentina, fazer escala no Equador para abastecimento e seguir em direção aos EUA.
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