- Pela Redação
- 29/05/2023
O Globo
A declaração do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitindo a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030 provocou mal-estar entre integrantes do PL, que viram na manifestação uma atitude oportunista do aliado apenas quatro dias após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação de parte da sigla é que o governador "queimou a largada" ao se colocar como uma alternativa para a próxima eleição presidencial enquanto o senador, que deixou o Brasil nesta semana, ainda reivindica a liderança do movimento bolsonarista.
O incômodo ocorre em meio às primeiras movimentações pela liderança da direita após o resultado das urnas. Embora tenha deixado o país, Flávio sinalizou a intenção de continuar à frente da oposição a Lula. Segundo aliados, o senador pode anunciar nos próximos dias uma nova candidatura à Presidência da República, em 2030, numa tentativa de preservar seu protagonismo. A possibilidade vem sendo discutida com Eduardo Bolsonaro e aliados nos Estados Unidos, conforme revelou a Folha de S.Paulo.
Além de Tarcísio, a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) é vista com preocupação por setores do bolsonarismo que defendem a manutenção do protagonismo de Flávio.
Entre aliados de Flávio, a avaliação é que Tarcísio escolheu um momento especialmente inoportuno para tratar de suas pretensões presidenciais. Reservadamente, integrantes do PL afirmam que o governador se apressou em ocupar o espaço do senador antes mesmo de a direita assimilar a derrota eleitoral. O desconforto é ampliado pelo fato de o próprio Tarcísio ter apoiado a candidatura de Flávio neste ano e defendido publicamente a escolha feita por Jair Bolsonaro.
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