- Pela Redação
- 29/05/2023
A campanha de reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pretende utilizar a trajetória de Fernando Haddad (PT) no conselho administrativo da Itaipu Binacional como alvo de críticas eleitorais. O ex-ministro da Fazenda atuou como membro deste órgão durante o período de abril de 2023 até março de 2026, quando se afastou para disputar o governo estadual.
A gestão petista e o acúmulo de funções, segundo aponta a equipe de Tarcísio, servirão como munição política contra Haddad. Entre os pontos de ataque está a falta de transparência quanto à remuneração dos conselheiros, informação que a estatal não divulga publicamente, apesar de saber-se que os honorários chegam a dezenas de milhares de mensais pela participação em reuniões bimestrais e extraordinárias.

A usina binacional, compartilhada entre Brasil e Paraguai, enfrenta um impasse tarifário decorrente do não cumprimento da promessa de redução significativa na conta de luz após o encerramento da dívida de construção em 2023.
Em pronunciamentos recentes, Tarcísio tem buscado desqualificar Haddad por sua passagem como responsável pela pasta da Fazenda, citando questões como expansão da carga tributária, aumento do endividamento geral, recordes em processos de recuperação judicial e déficit nas contas públicas.
Para construir sua vitrine eleitoral, a administração estadual aposta na inauguração de grandes projetos infraestruturais, como a primeira etapa do Rodoanel, a expansão monotrilho da Linha 17-Ouro e a Linha 6-Laranja do metrô, que foi aberta parcialmente antes do período de restrição eleitoral para permitir a presença do governador. O investimento adicional de R$ 3,7 bilhões foi necessário para cumprir este cronograma.
Adicionalmente, a equipe de Tarcísio se prepara para responder críticas previstas da oposição sobre temas controversos, incluindo a venda da Sabesp e o sistema de pedágio Free Flow.
Na questão das alianças políticas, Tarcísio trabalha para diminuir o número de concorrentes, buscando conquistar a vitória já no primeiro turno das eleições. O secretário de governo, Roberto Carneiro, teria mantido conversas com potenciais candidatos como Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão), apresentando cenários que favorecem a concentração de apoios ao redor de Tarcísio.
Ambos os políticos renunciaram às suas pré-candidaturas. A saída destes dois nomes, historicamente posicionados à direita do espectro político, facilita o redirecionamento de votos para o governador, aumentando as chances de vitória logo no primeiro turno.
O relacionamento entre Tarcísio e Flávio Bolsonaro (PL) é marcado por um distanciamento deliberado durante esta pré-campanha. Depois da divulgação de áudio em que o filho do ex-presidente aparece exigindo recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao escândalo do Master, o governador tem mantido sua agenda restrita ao estado e evitado apareições conjuntas com o senador.
Entretanto, conforme informações de pessoas próximas, caso vença no primeiro turno, Tarcísio intensificará o apoio à candidatura de Flávio em um possível segundo turno presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Tarcísio confirmou sua presença na convenção do PSD marcada para 26 de julho. Apesar da participação de Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab na corrida presidencial, o partido mantém seu apoio ao atual governador de São Paulo na busca pela reeleição estadual.
Para evitar constrangimentos públicos, foi acertado que Tarcísio e Caiado comparecerão em momentos distintos do evento, medida sugerida por Kassab para contornar o compartilhamento direto de palanque, já que Flávio é o candidato à Presidência na chapa de Tarcísio.
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