- Pela Redação
- 29/05/2023
A Polícia Federal apresentou solicitação de prorrogação nos inquéritos que investigam Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por suspeitas de tráfico de influência. A corporação argumenta que o período inicial de 60 dias não foi suficiente para conclusão das diligências em andamento junto a diversos órgãos do governo federal.
Os pedidos de extensão foram formalizados ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no dia 2 de outubro, quando expirou o prazo inicial. Apesar da submissão a Mendonça, os casos relacionados ao empresário estão sendo encaminhados para análise do presidente da Corte, Edson Fachin, cuja decisão ainda está pendente.
Segundo a PF, as apurações necessitam de mais tempo para examinar as conexões entre Fábio Luis e agentes públicos, rastrear movimentações financeiras relacionadas aos negócios investigados e analisar documentos do Ministério da Saúde e Dataprev. Os investigadores também pretendem identificar quem financiou deslocamentos internacionais desde 2023 e correlacionar essas viagens com as de outros investigados.
Um enfoque especial da investigação envolve uma viagem a Portugal realizada em junho de 2024, quando Fábio Luis e Roberta Luchsinger viajaram dias antes de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, se deslocar para o mesmo destino. A corporação também pretende verificar se negociações do grupo resultaram em alterações de normas relacionadas a cannabis medicinal nos órgãos federais mencionados.
A defesa de Roberta Luchsinger manifestou-se ao questionar a necessidade de prorrogação, argumentando que o processo já dura um ano sem evidências concretas que justifiquem sua continuação. O advogado Roberto Podval sugeriu que o arquivo do inquérito seria o encaminhamento apropriado.
Por sua vez, os advogados de Fábio Luis criticaram as medidas adicionais solicitadas como uma "fishing expedition", ou pesca probatória, afirmando que a hipótese original da investigação – de que o empresário receberia R$ 300 mil mensais através de Roberta Luchsinger – foi desmentida pelos próprios extratos bancários. Segundo a defesa, nenhum pagamento desse tipo ou de qualquer outro valor de Luchsinger consta nos registros financeiros analisados.
O empresário é alvo de três inquéritos distintos no STF. Além das duas investigações sob relatoria de Mendonça, envolvendo Ministério da Saúde e Dataprev, existe um terceiro inquérito sob sigilo, relatado pelo ministro Flávio Dino, que apura a atuação de um grupo de pessoas em favor de empresas junto ao governo federal.
A primeira investigação concentra-se na suspeita de que Fábio Luis teria facilitado contratos junto ao Ministério da Saúde para empresa atuante em produtos medicinais à base de cannabis. O inquérito foi aberto após pedido da PF em 24 de julho, sendo autorizado por Mendonça em 30 do mesmo mês.
A segunda apuração examina possível atuação para beneficiar empresa de tecnologia junto à Dataprev. A investigação foca a empresa 3Structure It LTDA, que possui contratos no valor de R$ 55.721.051,62 com o governo federal. A Dataprev informou não possuir acordos com a companhia citada, enquanto a 3Structure afirmou ter vencido licitações conforme normas aplicáveis e passou por auditorias do Tribunal de Contas da União.
O terceiro inquérito, sob sigilo desde sua abertura em 4 de agosto por Flávio Dino, abrange o então chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que deixou o cargo em 21 de julho. A investigação aponta possíveis conexões entre Marcola, Roberta Luchsinger e Fábio Luis, incluindo pagamento de despesas e compra de joias para o ex-assessor presidencial.
As origens das investigações remontam à Operação Sem Desconto, deflagrada em dezembro do ano anterior contra fraudes em benefícios do INSS. Roberta Luchsinger, lobista próxima a Fábio Luis, teve seu celular apreendido naquela ocasião, sendo encontradas mensagens indicando negócios com Antônio Carlos Camilo Antunes. Segundo relatórios da corporação, a empresária possivelmente atuava como operadora financeira e política do esquema de fraudes nos benefícios previdenciários.
Fábio Luis admitiu ter conhecido Antunes através de Luchsinger em 2024 e justificou a viagem a Portugal como oportunidade de avaliar negócios no segmento de cannabis medicinal, negando conhecimento do esquema de fraudes no INSS. Roberta Luchsinger, por sua vez, admitiu ter apresentado o filho do presidente ao lobista, mantendo a narrativa de que o deslocamento tinha propósitos comerciais legítimos.
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