- Pela Redação
- 29/05/2023
Administrar uma pequena ou média empresa no Brasil vai muito além de vender produtos e atender clientes. Milhões de empreendedores enfrentam uma realidade desafiadora: grande parte da semana é consumida por atividades administrativas que pouco agregam ao desenvolvimento do negócio.
Uma pesquisa conduzida pela fintech Conta Simples em colaboração com a Visa mapeou como as PMEs brasileiras utilizam seu tempo. Os números são impressionantes: as pequenas e médias empresas dedicam em média 21 horas por semana exclusivamente a atividades como pagamentos, prestação de contas e acompanhamento de despesas.
Ampliando essa perspectiva para o universo de aproximadamente 4,5 milhões de PMEs formais no país, o volume de tempo perdido em tarefas burocráticas alcança cerca de 97 milhões de horas semanais. Esse tempo deixa de ser investido em áreas estratégicas como inovação, expansão de vendas e planejamento de longo prazo.
A digitalização segue avançando de forma desequilibrada entre as empresas. Dados alarmantes mostram que quase 40% das micro, pequenas e médias empresas ainda dependem de métodos arcaicos para controlar despesas: cadernos, anotações e planilhas desorganizadas. Essa abordagem manual amplia significativamente os riscos de erros operacionais, retrabalho desnecessário e queda na produtividade geral.
Rodrigo Tognini, executivo-chefe da Conta Simples, analisa os impactos dessa realidade: "O levantamento evidenciou que 39% das MPMEs ainda recorrem a recursos manuais como cadernos para administrar despesas. Esse processo fragmentado sobrecarrega as equipes e consome tempo valioso que poderia ser direcionado para outras prioridades estratégicas".
Para Tognini, a tecnologia está posicionada para transformar esse quadro nos próximos períodos. "A evolução de plataformas inovadoras, ferramentas modernas e a expansão dos agentes de inteligência artificial capacitarão as PMEs a ganhar escalabilidade e otimização em sua administração e controle de gastos. Esses agentes de IA conseguem absorver funções operacionais e repetitivas, liberando profissionais para focar em análises críticas, desenho de estratégias e decisões com maior impacto".
Contudo, o desafio não se resume apenas à implementação de novas soluções digitais. Especialistas apontam que muitos proprietários acumulam diversas responsabilidades simultaneamente, privilegiando a operação imediata em lugar da administração estruturada.
Nas empresas de reduzido porte, é frequente encontrar o mesmo empreendedor responsável concomitantemente por vendas, compras, relacionamento com clientes, gestão de finanças, recrutamento de pessoas e visão estratégica do negócio.
Diante dessa realidade, a organização administrativa frequentemente é tratada como secundária, embora seja fundamental para a sustentabilidade e longevidade da organização.
Essa configuração explica por que procedimentos que deveriam ser simples – como aprovação de gastos, organização do fluxo financeiro e monitoramento de métricas financeiras – continuam ocupando tempo excessivo das equipes internas.
Se tecnologia é um caminho viável para eliminar tarefas repetitivas, especialistas reforçam que ela deve estar aliada a educação empreendedora sólida. O desafio central envolve desenvolver modelos de aprendizagem que se encaixem na realidade apertada de quem conduz uma pequena empresa.
Vanessa Soki, coordenadora de Educação no Fundo de Impacto Estímulo, defende que expandir o acesso ao aprendizado requer adaptar como ele é entregue aos empreendedores. Conforme a especialista comenta, experiências práticas mostram que materiais concisos e alinhados com problemas reais geram mais interesse e elevam o potencial de os conceitos serem realmente implementados.
A inteligência artificial promete intensificar a renovação da administração empresarial nas próximas etapas. Tecnologias de automação de processos financeiros, organização de documentação, rastreamento de despesas e apoio à tomada de decisão tendem a minimizar o tempo gasto em operações cotidianas.
Porém, tecnologia por si só não é suficiente para resolver todos os obstáculos que pequenas empresas enfrentam.
A capacidade de compreender dados, arquitetar investimentos, estruturar a movimentação de caixa e fazer escolhas informadas permanecerá como um elemento diferenciador no mercado.
Assim, combinar progresso tecnológico com educação contínua pode configurar um dos caminhos mais relevantes para potencializar o desempenho das PMEs brasileiras.
Em um mercado progressivamente disputado, elevar eficiência não é mais apenas uma questão de melhorar processos. Para inúmeros pequenos negociantes, otimizar o tempo tornou-se uma ferramenta de expansão e, frequentemente, de permanência sustentável no mercado.
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