- Pela Redação
- 29/05/2023
Um estudo realizado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio de São Paulo revelou que a tradicional refeição brasileira experimentou novo aumento em junho, contrariando a tendência de desaceleração inflacionária observada no período.
O valor médio nacional do prato feito, composto por arroz, feijão, proteína e salada, atingiu R$ 31,90. Esse patamar representa crescimento de 5,4% desde março, quando era comercializado por R$ 30,27, e avanço de 7,15% comparado a janeiro, quando custava R$ 29,77.
Segundo Rodrigo Simões Galvão, economista coordenador do Índice Prato Feito, este indicador funciona como termômetro da inflação vivenciada pelo consumidor em seu cotidiano. O especialista explica que a composição de custos vai além dos ingredientes: inclui aluguel comercial, despesas com energia, folha de pagamento, logística, impostos, encargos financeiros e margem operacional.
As disparidades regionais são significativas. A região Sul lidera com preço médio de R$ 34,90, enquanto o Norte apresenta o menor valor, R$ 29,99, representando diferença de aproximadamente 16,4%. O Centro-Oeste aparece em segundo lugar com R$ 34,45, seguido pelo Sudeste (R$ 31,99) e Nordeste (R$ 30,00).
Galvão enfatiza que as variações demonstram realidades econômicas distintas entre regiões, mas todas enfrentam pressão de preços na alimentação básica. Além dos insumos alimentares, fatores como mão de obra, energia, água, gás e aluguel exercem influência determinante na formação de preços.
A instituição ressalva que elevações de preços não necessariamente indicam maior lucratividade, podendo refletir apenas a transferência parcial de custos acumulados nos meses anteriores. Os empresários do setor alimentício enfrentam dilema entre manter preços competitivos e cobrir despesas operacionais crescentes, precisando equilibrar qualidade, competitividade e viabilidade financeira.
No contexto macroeconômico, o IPCA registrou alta de apenas 0,16% em junho, significativamente inferior à projeção de 0,36% do mercado. Destaques positivos incluem moderação em serviços, combustíveis e habitação, além da primeira deflação alimentar desde novembro do ano anterior.
Contudo, novos riscos pairam sobre a inflação futura. Agências meteorológicas internacionais aumentaram substancialmente a probabilidade de intensificação do fenômeno El Niño nos próximos meses, elevando riscos potenciais à produção agrícola em diversas regiões globais, especialmente no Brasil.
0 Comentários
Faça um comentário