PL amplia hegemonia, PT sofre baixa e União Brasil lidera perdas na Câmara dos Deputados

HEGEMONIA BOLSONARISTA



ISTOÉ

O fim da janela partidária na sexta-feira, 3, consolidou o PL como a força dominante na Câmara dos Deputados. A legenda, que já detinha a maior bancada da Casa, foi a que mais se beneficiou com a troca de partidos pelos parlamentares, ampliando sua vantagem competitiva para o pleito de 2026, ultrapassando a marca dos 100 parlamentares. Em contrapartida, o União Brasil registrou o desempenho mais negativo, sofrendo uma debandada de quadros.

O período estabelecido pela lei eleitoral para a troca de siglas sem a perda do mandato legislativo por infidelidade partidária resultou em uma movimentação intensa nos bastidores de Brasília. O PL registrou a entrada de 17 novos deputados e a saída de quatro. Já o PT, segunda maior bancada, manteve-se estável, mas registrou uma baixa com a saída da deputada Luizianne Lins (CE), que migrou para o Rede.

A sigla mais afetada foi o União Brasil, que contabilizou 18 saídas e apenas duas adesões. A perda de capilaridade da legenda reflete dissidências internas e a migração de nomes para o bloco de oposição liderado pelo PL.

Veja composição dos partidos para a Câmara:

* PL: Antes da janela – 86; Depois da janela – 101;

* PT: Antes da janela – 67; Depois da janela – 66;

* PP: Antes da janela – 50; Depois da janela – 54;

* PSD: Antes da janela – 47; Depois da janela – 47;

* União Brasil: Antes da janela – 59; Depois da janela – 44;

* Republicanos: Antes da janela – 44; Depois da janela – 41;

* MDB: Antes da janela – 42; Depois da janela – 37;

* PODE: Antes da janela – 16; Depois da janela – 24;

* PSB: Antes da janela – 16; Depois da janela – 20;

* PSDB: Antes da janela – 14; Depois da janela – 19;

* PSOL: Antes da janela – 11; Depois da janela – 12;

* PC do B: Antes da janela – 9; Depois da janela – 10;

* PDT: Antes da janela – 16; Depois da janela – 6;

* SOLIDARIEDADE: Antes da janela – 5; Depois da janela – 6;

* PV: Antes da janela – 4; Depois da janela – 5;

* REDE: Antes da janela – 4; Depois da janela – 5;

* NOVO: Antes da janela – 5; Depois da janela – 5;

* AVANTE: Antes da janela – 8; Depois da janela – 4;

* CIDADANIA: Antes da janela – 4; Depois da janela – 2;

* PRD: Antes da janela – 5; Depois da janela – 2;

* MISSÃO: Antes da janela – 0; Depois da janela – 1.

Entre os nomes que migraram do União Brasil para o PL estão o relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar (AL), Rosângela Moro (SP), Coronel Assis (MT) e Nicoletti (RR). Já Kim Kataguiri deixou a legenda liderada por Antônio Rueda para migrar para o recém-criado Missão.

O PSDB, que aparece na segunda posição no ranking de legendas que mais angariou deputados federais, busca ampliar seu papel de destaque no cenário político nacional. Uma aquisição importante para a legenda foi o ex-ministro das Comunicações do governo petista Juscelino Filho (MA), que deixou o União Brasil.

Já a deputada Duda Salabert (MG) saiu do PDT e retornou ao PSOL, o deputado Otoni de Paula (RJ) migrou do MDB para o PSD, e a deputada Luisa Canziani (PR), do PSD para o PP.

Importância da Câmara dos Deputados

Apesar do encerramento do prazo para trocas, o cenário das bancadas ainda não é definitivo. A composição final depende do retorno de ministros que saíram do governo e que podem reassumir seus mandatos na Câmara. Com a volta dos titulares, suplentes que ocupam cadeiras atualmente — e que podem ter trocado de legenda — deixarão o exercício do mandato, alterando novamente os números totais de cada sigla.

A Câmara dos Deputados é responsável por discutir e votar leis que afetam diretamente a vida do cidadão brasileiro, além de autorizar processos contra o presidente e aprovar o Orçamento da União. Nenhuma proposta do Executivo — seja a criação de um imposto ou um novo programa social — vira realidade sem passar pela análise dos 513 deputados. Por isso a importância de se ter uma bancada forte na Casa.

O governo Lula 3 enfrentou uma certa dificuldade de governabilidade. Sem uma maioria sólida, o Executivo se viu diante de barreiras para aprovar pautas essenciais, como a regulamentação da Reforma Tributária, por exemplo, que só avançou em 2025.

Agora, em 2026, o petista passou a pregar a união em pautas como a segurança pública e  o fim da escala 6×1, mas sabe que, sem eleger uma bancada maior em outubro, o próximo mandato pode ser novamente marcado pela dependência dos vontades da Câmara.

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