- Pela Redação
- 29/05/2023
Uma pequena loja de capinhas de celular, registrada com um capital social declarado de apenas R$ 50 mil, movimentou aproximadamente R$ 50 milhões em um período de dois anos. De acordo com investigações conduzidas por autoridades cariocas, a maior parte desses recursos originava-se de atividades criminosas vinculadas ao Terceiro Comando Puro (TCP).

Bárbara Luzia Souza de Carvalho, proprietária da Babe Shopee Cell, foi capturada nesta quarta-feira (15) durante a Operação Hawala, ação coordenada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Além de Bárbara, outras 9 pessoas foram detidas na operação. Entre os capturados encontram-se os irmãos libaneses Reda, Yasser e Kassem Zayoun, identificados pelas autoridades como coordenadores da expansão interestadual e internacional da estrutura financeira da organização criminosa.
Conforme apontam os investigadores, o esquema criminoso do qual Bárbara Luzia e os Zayouns participavam realizou movimentações de R$ 100 milhões durante três anos. A rede operava de forma indiscriminada, ocultando recursos provenientes não apenas do TCP, mas também do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC). Para isso, utilizava empresas fictícias que comercializavam artigos falsificados e equipamentos eletrônicos roubados.
Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com reforço da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) executaram 37 mandados de busca e apreensão em endereços distribuídos pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu.
A 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do RJ decretou medidas cautelares que incluem bloqueio de ativos financeiros e indisponibilidade de bens e participações societárias dos investigados.
O Gaeco ofereceu denúncia contra 22 indivíduos no total. O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira homologou integralmente a denúncia, convertendo todos os acusados em réus pelos crimes investigados.
Até o momento, a defesa dos investigados não se pronunciou sobre as acusações.
1. Ali Alfakih
2. Barbara de Oliveira Rosa
3. Bárbara Luzia Souza de Carvalho
4. Kassem Zayoun
5. Lucas Gabriel Vidal
6. Reda Zayoun
7. Samuel Morais da Hora
8. Thierry Martins Lourenço Ribeiro
9. Yago Jorge de Souza Daniel
10. Yasser Zayoun
O processo investigativo iniciou-se na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), onde agentes identificaram uma loja multimarcas instalada no Complexo do São Carlos, vinculada à liderança do Terceiro Comando Puro, que realizava comercialização de produtos falsificados e recebia aparelhos eletrônicos roubados.
Bárbara Luzia era casada com o proprietário desse estabelecimento e figurava como dona registrada da Babe Cell. Por meio de rastreamento de recursos financeiros, a especializada descobriu uma extensa cadeia com dezenas de empresas de fachada espalhadas por diversos estados, criadas propositalmente para facilitar a circulação dos lucros oriundos do narcotráfico. Além disso, a organização criminosa recorria ao método conhecido como smurfing, caracterizado pelo fracionamento de depósitos em dinheiro para contornar sistemas de vigilância financeira.
Os investigadores também rastrearam uma transação comercial entre empresa associada aos suspeitos e o cidadão egípcio Haytham Ahmad Shukri, alvo de investigação federal norte-americana por alegadas conexões com a organização terrorista Al-Qaeda.
Contudo, o delegado Pedro Brasil ressalvou que as informações levantadas ainda necessitam de maior consolidação. "São dados que ainda estão crus, que ainda não dá para confirmar esse vínculo", afirmou o autoridade responsável pela investigação.
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