- Pela Redação
- 29/05/2023
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dirigiu-se ao novo mandatário do Paraguai, Pedro Alliana, nesta sexta-feira (6), desejando sucesso em seu mandato. O líder brasileiro expressou a intenção de manter com o país vizinho uma relação baseada no diálogo aberto, franco e colaborativo.
"Transmito ao novo Presidente do Paraguai, Pedro Alliana, empossado na noite de hoje, meus desejos de pleno êxito nas novas funções e de poder trabalhar com ele de maneira aberta, franca e cooperativa, em prol do fortalecimento da relação bilateral e do avanço da integração na América do Sul", comunicou Lula através da rede social X.

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Lula reafirmou seu interesse em recepcionar o presidente paraguaio em breve na capital federal para estreitar os vínculos históricos que unem as duas nações sul-americanas. "Espero poder recebê-lo proximamente em Brasília, oportunidade em que poderemos examinar a nossa agenda bilateral e dar renovado impulso a nossos históricos laços de amizade", acrescentou.
Pedro Alliana respondeu prontamente à mensagem presidencial, expressando gratidão pelos cumprimentos. "Nossas nações sempre estarão unidas por laços de fraternidade. Iniciamos uma relação frutífera em homenagem aos nossos povos", registrou em sua resposta.
O novo presidente paraguaio foi empossado na noite de sexta-feira após o Senado nacional aprovar o impeachment de seu antecessor, Santiago Peña. O ex-mandatário enfrentava acusações relacionadas a um escândalo envolvendo o colapso de uma instituição financeira que prejudicou milhões de cidadãos.
Durante sua atuação como vice-presidente, Alliana acumulou responsabilidades significativas na condução da política externa paraguaia. Ele foi o primeiro porta-voz governamental a se manifestar após declarações do presidente Lula sobre a Guerra da Tríplice Fronteira.
Em seu pronunciamento, Lula mencionou que o Paraguai havia invadido o Brasil, Argentina e Uruguai no século XIX, desencadeando um conflito que resultou em perdas demográficas catastróficas para o país vizinho. "A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos", relatou.
Alliana participou de encontro com o embaixador José Antonio Marcondes após essas declarações, ocasião em que reforçou a importância de não aprofundar divergências. "A distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de nossos povos", argumentou o então vice. O dirigente destacou a condição de países irmãos e enfatizou projetos compartilhados como a participação no Mercosul e a usina de Itaipu.
O banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, encerrou suas operações na terça-feira (3) após o Banco Central do Paraguai iniciar procedimento de liquidação. A medida ocorreu após detecção de insolvência relacionada a operações de crédito com empresas ligadas ao grupo proprietário.
Santiago Peña, economista que assumiu a presidência em 2023, mantinha participação acionária no grupo controlador do banco até março do ano anterior. A instituição financeira operava com aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do sistema previdenciário.
A bancada de oposição questionou Peña por potencial conflito de interesse, irregularidades regulatórias, apropriação indevida de recursos de previdência e falta de ação do Banco Central. A deputada Rocío Vallejo criticou severamente: "Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou".
Peña comprometeu-se via rede social a responsabilizar os envolvidos em irregularidades perante órgãos judiciais e sancionou legislação que acelerará o ressarcimento dos correntistas afetados. "Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse", apelou.
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