- Pela Redação
- 29/05/2023
A retirada do Brasil do candidato derrotado à presidência Flávio Bolsonaro (PL) foi marcada, ao longo de toda a terça-feira (27), por um fluxo de informações enganosas a respeito de seu paradeiro e movimentos.
Essas narrativas falsas foram disseminadas por pessoas próximas ao núcleo familiar Bolsonaro e por intermediários vinculados à administração de Donald Trump.
Enquanto familiares e contatos americanos divulgavam que Flávio havia abandonado o território nacional e alcançado os Estados Unidos, o senador permanecia ainda em solo brasileiro.
De acordo com a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio atravessou a fronteira apenas às 22h50 de terça-feira, utilizando a Ponte Internacional Tancredo Neves, que conecta Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú. Ele viajava acompanhado pela esposa Fernanda e pelas filhas Carolina e Luiza.
Às 23h30, o grupo embarcou em uma aeronave privada com destino informado como Guayaquil, no Equador.
Nas horas que antecederam esses eventos, a CNN havia divulgado, com base nessas mesmas fontes, informações que agora são contraditas pelos registros oficiais argentinos.

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Pouco depois das 14 horas, pessoas próximas a Flávio comunicaram à CNN que o senador e seus familiares haviam deixado o Brasil naquele dia.
No decorrer da tarde, duas fontes confirmaram à CNN que Flávio estava se deslocando rumo aos Estados Unidos.
De forma convergente, um oficial americano relatou à agência Reuters que o senador estava em trajeto para o país.
Às 17h39, intermediários ligados ao governo americano informaram à CNN que Flávio havia chegado aos EUA juntamente com a esposa e as filhas.
Uma pessoa com acesso à situação também comunicou à CNN, ainda durante o período vespertino, que ele estava em território americano.
À noite, um assessor próximo a Trump revelou à CNN que o presidente americano havia autorizado a entrada de Flávio. Conforme a informação, autoridades dos EUA conheciam desde segunda-feira (26) que o senador tinha um prazo de 24 horas para entregar os passaportes e lhe comunicaram que sua entrada seria consentida.
Próximo às 22 horas, associados de Flávio afirmaram à CNN que ele já havia encontrado o irmão Eduardo Bolsonaro na Flórida e que pretendiam conceder uma coletiva de imprensa na quarta-feira (28) para esclarecer os motivos da saída do país.
Uma hora depois, conforme registros do governo argentino, Flávio estava passando pelos procedimentos de imigração na zona fronteiriça.

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Essas narrativas circularam enquanto a Polícia Federal realizava buscas para localizar Flávio.
O ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF (Supremo Tribunal Federal), havia estabelecido no domingo (25) a necessidade de entrega dos passaportes do senador e imposto restrição à sua saída do país.
O prazo fixado expirou às 11h de terça-feira, porém os documentos não foram apresentados. A PF procedeu ao cancelamento dos passaportes comum e diplomático de Flávio.
Com o senador divulgado como já ausente do país e inclusive presente nos EUA, a atenção dos meios se concentrou em sua chegada em solo americano. Contudo, Flávio ainda não havia transposto a fronteira naquele momento.
O governo argentino igualmente desmentiu ao longo de terça-feira que o senador tivesse entrado em seu território, posicionamento que foi posteriormente corrigido pela própria Migrações nas primeiras horas de quarta-feira.

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Na segunda-feira (26), durante um encontro com membros da campanha em um consultório jurídico localizado no Lago Sul, em Brasília, Flávio recebeu orientações de aliados para não deixar o Brasil, conforme apurado pela CNN.
Assessores considerados moderados avaliavam que uma detenção imediatamente após o resultado eleitoral comprometeria a percepção internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, por isso, não previa qualquer ação contra ele.
No mesmo dia, em uma publicação em rede social, o senador comunicou ter recebido intimação para entregar os passaportes e estar impedido de abandonar o país.
Um contato brasileiro de Flávio mencionou à CNN que ele expressava receio quanto a uma possível prisão.
Fontes consultadas pela CNN reafirmam que o alvo definitivo do senador são os Estados Unidos.
Dois servidores do governo americano informaram à CNN que documentos de autorização estão sendo elaborados para ele e sua família.
Até a conclusão desta matéria, não havia confirmação oficial do pouso da aeronave no Equador nem da chegada em território americano.
Flávio está sob investigação em dois procedimentos da PF. Um deles examina o financiamento do filme Dark Horse, dedicado a Jair Bolsonaro, cujos recursos teriam origem em investimentos do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-diretor do Banco Master.
O segundo procedimento investiga indícios de operações de ocultação de origem de recursos envolvendo o senador e o jurista Willer Tomaz. Flávio contesta as acusações e afirma manter apenas vínculo amicável com Tomaz, que igualmente refuta as suspeitas.
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