- Pela Redação
- 29/05/2023
EDUARDO MILITÃO E CARLA ARAÚJO
DO UOL
Em uma carta escrita de dentro da prisão, onde cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) defendeu a esposa, Michelle, e lamentou "ataques de aliados" da direita depois que ela se lançou pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal.
O que aconteceu
O ex-presidente lamentou as cobranças que recaem sobre a ex-primeira-dama e sobre outros colegas de partido dele. "Dirijo-me a todos que comungam comigo dos mesmos valores — Deus, Pátria, Família e Liberdade — para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa".
A carta foi entregue ao UOL pela assessoria de Michelle e sua autenticidade também foi confirmada por parlamentares e assessores próximos da família do ex-presidente. O texto teria sido escrita no sábado (28) e entregue a uma visita que esteve com Bolsonaro.
Bolsonaro disse que pediu que Michelle só entrasse na política em março. Segundo o ex-presidente, ela estava ocupada dedicando-se à família e a cuidar do marido na prisão.
"Numa campanha majoritária, bem como as cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados".
Michelle e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) devem ser as candidatas do partido ao Senado este ano pelo Distrito Federal. A escolha para as "cobiçadas vagas" ao Senado tem sido feita com o aval de Jair Bolsonaro de dentro da cadeia. Isso tem desagradado aliados nos estados.
Nessas negociações, até o líder do PL no Senado foi rifado da disputa à reeleição este ano. "Não traio minha coerência nem minha honestidade", reclamou Portinho em carta. "Minha gratidão será maior do que a eventual frustração com a decisão do nosso pré-candidato, Flávio Bolsonaro", continuou o líder do PL.
Nikolas reagiu e disse que "o Eduardo não está bem". "Deixa a Michelle viver o calvário dela", continuou o deputado, na porta da prisão depois de visitar Jair Bolsonaro. "É uma esposa, mãe, que tem que cuidar de uma filha, que está vindo aqui todos os dias preparando alimento pro marido dela, de 70 anos, que está preso injustamente."
Michelle ainda desagradou setores do PL no Nordeste que tentavam se aliar a Ciro Gomes (PSDB, ex-PDT, ex-PSB e ex-PPS). "Isso não dá", afirmou ela em evento.
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