- Pela Redação
- 29/05/2023
O Globo
Se o El Niño, fosse um menino como o seu nome sugere, teria o poder de estragar tudo que toca. É isso que esse fenômeno, de chegada garantida no segundo semestre, faz com o clima de boa parte do planeta. Não existe confirmação de que ele será superpoderoso, como se tem alardeado em redes sociais. Entre todos os desastres estimados o único garantido é o térmico e este será sentido em todo o Brasil, com grande intensidade no Sudeste e no Centro-Oeste.
O calor, já nas alturas, virá com tudo no segundo semestre com o impulso do Niño. E 2026 poderá superar 2024 como o ano mais quente da História da Humanidade, adverte José Marengo, um dos climatologistas mais respeitos do mundo e um dos autores de uma nota técnica enviada à Casa Civil este mês pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Além disso, em termos gerais, o El Niño costuma provocar a diminuição das chuvas no Norte e o aumento no Sul. Na região central, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, as ondas de calor se tornam mais frequentes, normalmente acompanhadas de baixa umidade, diz a nota.
A seguir o que é garantido e o que por ora é apenas previsão, com razoável grau de incerteza.
Risco
Há 80% de chance de um El Niño se estabelecer no Oceano Pacífico no segundo semestre, diz Marengo. Se ele será moderado, forte ou muito forte é outra história. “Vai acontecer, será muito quente e vamos sentir mais a partir de setembro. Mais que isso, é especulação”, afirma o climatologista.
Impacto global
Há um El Niño quando o Pacífico equatorial permanece a pelo menos 0,5°C acima da temperatura média por ao menos três meses. Parece pouco, mas as dimensões do fenômeno são colossais. O El Niño é como uma piscina de água quente de tamanho equivalente ao da Amazônia Legal brasileira. O combustível do El Niño é a radiação solar. O Pacífico equatorial recebe mais radiação solar do que qualquer outro lugar da Terra e essa energia é estocada em forma de calor. A atmosfera responde à toda essa água quente e os ventos enfraquecem e concentram umidade no Oeste da América do Sul. Isso deflagra uma cascata de desequilíbrios, com extremos de calor, seca e chuva. O fenômeno é regional, mas toma dimensão global porque o El Niño funciona como uma usina de energia, propagada por correntes oceânicas e ventos mundo afora.
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