- Pela Redação
- 29/05/2023
Márcio Eça do rufandobombonews
O anúncio da ex-vereadora Edna Sampaio (PT) de que colocou seu nome à disposição da federação Brasil da Esperança para disputar uma vaga ao Senado em Mato Grosso já começa a causar incômodo no campo progressista. A movimentação tem potencial para virar uma dor de cabeça direta para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), que vinha trabalhando nos bastidores para se consolidar como candidato único da esquerda ao Senado, sem concorrência interna.
Até então, o projeto de Fávaro era claro: reunir o eleitorado progressista em torno de seu nome e evitar a pulverização de votos em um Estado onde a esquerda é minoritária e qualquer divisão pode ser fatal. A entrada de Edna nesse tabuleiro altera o cenário e expõe uma disputa que estava represada dentro da federação.
A surpresa veio na manhã desta sexta-feira (23), quando Edna divulgou uma carta aberta nas redes sociais anunciando sua disposição em disputar o Senado. O movimento pegou de surpresa inclusive aliados e sua própria base eleitoral. Até pouco tempo, o plano da petista era outro: concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), cargo para o qual já disputou em 2022, ficando como suplente.
Na carta, Edna aposta em sua trajetória de quase duas décadas no PT, na militância em causas sociais e no discurso de renovação do Congresso Nacional para justificar a pré-candidatura. Ela também se coloca como peça de sustentação política ao presidente Lula (PT), mirando a construção de um palanque mais ideológico no Estado.
“Sou filiada ao PT desde os 19 anos, cresci politicamente, participei de lutas e me orgulho de contribuir com a construção de um projeto de país que colocou pobres, mulheres e trabalhadores no centro das políticas públicas”, escreveu. Em outro trecho, afirma que a eleição exige “responsabilidade histórica” para fortalecer um campo progressista que defenda o avanço do governo Lula.
Nos bastidores, porém, o gesto é visto menos como construção coletiva e mais como ruptura de um acordo tácito que vinha sendo costurado para garantir a reeleição de Fávaro sem sobressaltos internos. Com poucos votos disponíveis à esquerda em Mato Grosso, a presença de mais um nome competitivo pode significar divisão, desgaste e enfraquecimento do projeto progressista no Senado.
Se a federação vai bancar a ousadia de Edna ou tentar enquadrar a candidatura em nome da “unidade”, o tempo dirá. Por ora, uma coisa é certa: o caminho que parecia livre para Fávaro ficou bem mais turbulento.
Além de Edna ainda têm Pedro Taques que recentemente assumiu o PSB em Mato Grosso e deve disputar o Senado com apoio da federação.
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