Dicotomia política separa administrações de Cuiabá e Várzea Grande

Abilio X Flávia Moretti



Márcio Eça do rufandobombonews 

Eleitos em 2024 com o discurso alinhado ao bolsonarismo predominante em Mato Grosso e com a promessa de romper com a chamada “velha política”, os prefeitos Abilio Brunini e Flávia Moretti passaram a apresentar, ao longo do primeiro ano de gestão, estilos administrativos bastante distintos — uma verdadeira dicotomia política entre as duas principais cidades da região metropolitana.

Em Cuiabá, eleito pelo Partido Liberal, Abilio adotou desde o início uma estratégia voltada ao fortalecimento de sua base no Legislativo municipal. O prefeito conseguiu construir maioria na Câmara, garantindo estabilidade política e reduzindo riscos de abertura de CPIs ou processos de desgaste institucional.

Entre os movimentos políticos mais relevantes, Abilio articulou a eleição da esposa, Samanta Aires, como a vereadora mais votada do pleito, acumulando o papel político com o de primeira-dama. Também conseguiu viabilizar um fato inédito: a formação de uma mesa diretora composta exclusivamente por mulheres. Desde então, a relação com o Legislativo tem sido considerada tranquila, sem grandes crises.

Outro ponto marcante é a concentração de poder em torno do próprio prefeito. A vice-prefeita Vânia Rosa, militar de carreira e sem trajetória política consolidada, acabou rompendo politicamente com Abilio e não exerce influência significativa na articulação institucional do Palácio Alencastro.

Já em Várzea Grande, o cenário é diferente. Flávia Moretti, que venceu uma eleição considerada surpresa ao derrotar o então prefeito e candidato à reeleição Calil Baracat, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro, enfrenta dificuldades desde o início do mandato na relação com a Câmara Municipal.

Sem uma base sólida e com articulação política ainda em construção, a prefeita convive com um Legislativo comandado por Vanderlei Siqueira, político experiente e ligado ao grupo tradicional da cidade.

A escolha do vice também evidencia diferenças estratégicas entre as duas gestões. Flávia optou por Tião da Zaeli, ex-prefeito e articulador político experiente, profundo conhecedor das dinâmicas locais. Na prática, ele passou a exercer forte influência nos bastidores da administração, levantando questionamentos sobre o equilíbrio de poder dentro do Executivo municipal.

Esse contraste reforça a dicotomia entre os modelos adotados: enquanto Abilio centraliza decisões e mantém controle político consolidado em Cuiabá, Flávia enfrenta desafios de articulação e divide protagonismo político em Várzea Grande, cenário que mantém em aberto a pergunta recorrente nos bastidores da política local — quem, de fato, conduz a articulação política do governo.

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