Vereadora Paula Calil Alerta Sobre Prevenção ao Feminicídio Após 35 Casos em Mato Grosso

Presidente da Câmara de Cuiabá defende ações preventivas e envolvimento da sociedade no enfrentamento à violência contra mulheres.



A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), utilizou o expediente legislativo para alertar sobre a crescente violência feminina no estado, ressaltando a necessidade urgente de ações preventivas. Seu pronunciamento ganhou relevância após Mato Grosso registrar 35 casos de feminicídio durante o ano de 2026.

A parlamentar trouxe à discussão o trágico caso de Gleici Keli Geraldo, moradora de Lucas do Rio Verde com 42 anos, que perdeu a vida dentro de seu próprio lar. Durante o incidente violento, sua filha de sete anos também sofreu ferimentos graves. Paula destacou que as imagens de segurança divulgadas pela defesa da família suscitam questões sobre as circunstâncias do crime, que ainda aguardam análise definitiva pelo poder judiciário.

"Independentemente das conclusões judiciais, uma realidade é incontestável: uma mulher foi assassinada e uma criança carregará as marcas emocionais dessa violência por toda a vida", afirmou a vereadora.

Citando ainda outro episódio recente em Feliz Natal, onde uma vítima foi morta a facadas, Paula enfatizou que esses números revelam um padrão preocupante que exige mudança de abordagem. "Trinta e cinco mulheres perderam a vida em 2026. Até quando esperaremos para agir?" questionou.

Para a presidente da Câmara, a discussão sobre feminicídio não pode limitar-se ao momento após o homicídio. Ela defendeu que a sociedade reconheça e intervenha nos sinais iniciais de relacionamentos abusivos: ameaças contínuas, comportamentos controladores, agressões físicas e descumprimento de ordens de proteção.

"Precisamos intervir quando emergem os primeiros sinais de ameaça, controle e agressão. Quando uma mulher pede socorro, essa demanda deve ser ouvida e atendida", salientou Paula.

A parlamentar reforçou que a morte em casos de feminicídio representa meramente a culminação de uma trajetória abusiva, frequentemente iniciada muito antes do desfecho letal. "O assassinato é o desfecho final de um processo violento prolongado", esclareceu.

Paula também se posicionou contra a minimização cultural de comportamentos agressivos nos relacionamentos, condenando expressões que normalizam esse tipo de violência. "Agressão entre parceiros não deve ser caracterizada como briga comum, ciúme excessivo ou falta de controle emocional. É crime. Precisa ser reconhecido e punido como tal", enfatizou.

A iniciativa "Homem de Verdade Protege Mulheres", de autoria da vereadora, busca mobilizar os homens para participarem ativamente do combate à violência feminina, promovendo relações baseadas no respeito mútuo e na denúncia de comportamentos agressivos.

Durante seu discurso, Paula dirigiu-se especificamente às mulheres vítimas de violência doméstica, reiterando que existem caminhos para a segurança. "Vocês não enfrentam essa luta solitariamente. Busquem apoio, denunciem, conversem com pessoas de confiança e acionem os sistemas de proteção disponíveis", orientou.

A vereadora também demandou o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao acolhimento, atendimento especializado e ações preventivas, destacando que o poder público deve atuar antes que situações atinjam o estágio terminal. "O sistema público precisa oferecer proteção efetiva antes que nos vejamos discutindo outro assassinato", concluiu Paula, chamando o Legislativo a manter esse combate entre suas prioridades institucionais.

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