- Pela Redação
- 29/05/2023
A vereadora Maysa Leão (Republicanos) protocolou, durante sessão realizada na terça-feira (29), um requerimento junto à Secretaria Municipal de Saúde requisitando dados específicos sobre o cenário de atendimento psiquiátrico e psicoterápico na rede pública cuiabana. O documento solicita detalhamento da demanda reprimida, prazos médios de espera e ações implementadas para expandir a capacidade de atendimento e diminuir o acúmulo de pacientes aguardando consultas.
Durante o pronunciamento em plenário, a parlamentar enfatizou que a saúde mental deve ser compreendida como prioridade contínua nas políticas municipais, transcendendo as ações pontuais associadas ao Setembro Amarelo. Para ilustrar a urgência do tema, a vereadora trouxe à discussão relatos documentados em seu gabinete de famílias que enfrentaram obstáculos significativos ao tentar acessar atendimento especializado na rede de saúde do município.
Maysa mencionou especificamente a trajetória de uma adolescente diagnosticada com transtorno bipolar e depressão que percorreu diversos equipamentos da rede municipal em busca de acompanhamento adequado. Ao rememorar esse caso, a vereadora ressaltou o compromisso de garantir recepção acolhedora e continuidade do tratamento para todos que procuram assistência psicológica.
"Essa menina procurou ajuda e passou por diferentes pontos da nossa rede. A mãe guarda até hoje os prontuários e as cartas da filha. A minha filha tem 22 anos e eu não consigo imaginar o tamanho da dor dessa mãe. Por isso, quando vejo uma fila de pessoas aguardando atendimento, não consigo olhar apenas para um número. Estamos falando de pessoas", afirmou a vereadora.
A parlamentar também referenciou o caso envolvendo familiares da jornalista Janaiara, falecida por suicídio, pontuando que a família teria recebido subsequentemente uma notificação acerca de agendamento de consulta que havia sido solicitado anteriormente. Esse exemplo foi utilizado para evidenciar a importância de otimizar os procedimentos administrativos e o acompanhamento longitudinal de pacientes no sistema de atenção psicossocial.
Conforme Maysa Leão, a existência de longas filas de espera é sintomática de uma demanda comprimida que requer monitoramento constante e redefinição das estratégias municipais para ampliar o acesso à saúde mental. A vereadora reafirmou que o debate perpassa questões quantitativas e qualitativas do atendimento.
"Não estamos falando apenas de uma fila. Estamos falando de pessoas que precisam de atendimento, acolhimento e acompanhamento. A saúde mental precisa ser tratada com a mesma seriedade que qualquer outra área da saúde", ressaltou a parlamentar.
Ao formalizar o requerimento, Maysa sinalizou sua intenção de acompanhar as respostas fornecidas pela administração municipal e participar ativamente do diálogo sobre a qualificação de políticas públicas de saúde mental em Cuiabá.
"Setembro Amarelo termina, mas o cuidado precisa continuar durante todo o ano. Quero entender melhor essa demanda e saber quais medidas estão sendo adotadas para ampliar o atendimento às pessoas que aguardam por acompanhamento psiquiátrico e psicoterápico", concluiu a vereadora.
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