- Pela Redação
- 29/05/2023
O veterano apresentador Carlos Alberto de Nóbrega demonstrou grande emoção ao discorrer sobre sua relação com o programa humorístico "A Praça é Nossa", deixando explícito que não cogita em encerrar suas atividades profissionais. Com 90 anos de idade, o comunicador ressaltou que as produções da atração representam um dos pilares mais significativos de sua existência, manifestando o desejo veemente de permanecer na ativa até seus últimos dias.
As declarações foram proferidas durante uma entrevista concedida pela LeoDias TV, apresentada por Cadu Safner, na quinta-feira anterior (13/8), nos espaços internos de "A Praça é Nossa", no estúdio do SBT, localizado em São Paulo. "O amor que eu tenho, gente, por esse momento da quinta-feira… É o momento da minha felicidade", confidenciou Carlos Alberto durante o encontro.
Durante a conversa, o profissional de longa trajetória revelou que havia perdido, no dia anterior, uma cachorrinha com 17 anos de idade, que apresentava cegueira. Visivelmente tocado ao narrar o ocorrido, apesar do impacto emocional da perda, enfatizou que compareceu ao trabalho mesmo assim. "Estou aqui hoje, fazendo graça, porque aqui é a minha vida. O dia que me tirarem 'A Praça', acabou minha vida. Eu vivo pela 'Praça'", declarou com convicção.

Para demonstrar a relevância que o programa possui em sua trajetória, Carlos Alberto resgatou uma ocorrência aproximadamente uma década passada, quando enfrentou complicações do sistema cardiovascular e necessitou ser submetido a um cateterismo.
De acordo com o apresentador, encontrava-se hospitalizado quando recebeu a notícia de seu cardiologista informando que a intervenção médica aconteceria na madrugada. No entanto, Carlos Alberto recordava-se de que possuía uma gravação agendada e tentou negociar com o profissional da medicina a sua liberação. "Eu falei: 'Não! Amanhã eu gravo'. Aí eu menti para ele. 'Calil, eu não tenho programa na frente'. A gente tem sempre um programa na frente. 'Se eu não fizer o programa amanhã, não tem 'A Praça'. Olha o prejuízo que a emissora vai ter, tendo que botar uma reprise! Programa é tudo vendido'", relembrou em detalhes.
O profissional da saúde consentiu em sua solicitação, permitindo que se ausentasse da unidade hospitalar, sob a condição de que não operasse veículos e regressasse posteriormente para realizar o procedimento cirúrgico. Antes de ingressar no palco, Carlos Alberto congregou os integrantes da equipe no espaço reservado dos bastidores e comunicou que precisaria retornar à instituição hospitalar naquela mesma noite. "Disse: 'Olha, eu não sei o que vai acontecer. Vou fazer o cateterismo, espero que esteja tudo bem, mas pode ser que não esteja. Então, eu quero dizer a vocês pra fazerem uma oração para ver se a gente se mantém gravando. E o cateterismo é hoje às 10 horas", revelou naquela ocasião.

Apesar da apreensão relacionada à sua saúde, o comunicador compartilhou que o episódio adquiriu características bem-humoradas típicas dos momentos entre bastidores do programa. Carlos Alberto mencionou que Alexandre Frota abandonou o camarim em lágrimas após tomar conhecimento da situação. "Eu falei: 'Pô, o Frota gosta mesmo de mim, né?'. Ele saiu chorando porque ele não sabia o que é cateterismo, foi procurar no Google", brincou o apresentador.
Na perspectiva do profissional experiente, constituem precisamente essas conexões afetivas e instantes de descontração que alimentam sua motivação contínua para o trabalho. "No dia em que eu perder essas brincadeiras, eu vou viver para quê?", questionou com sinceridade.

Com 90 anos de existência e já na condição de bisavô, Carlos Alberto também expressou-se candidamente acerca do envelhecimento e da mortalidade. O comunicador manifestou que não desejaria vivenciar seus momentos derradeiros em uma instituição de saúde ou dependente de uma cadeira de rodas, reforçando seu anseio de manter-se produtivo e engajado. "Eu não posso parar de trabalhar. Não posso. No dia em que acabar, se tiver que acabar 'A Praça', tudo que começa acaba, vai ter que acabar comigo".

"A Praça é Nossa" configura-se como um dos programas humorísticos com maior permanência na história da televisão brasileira. Sob o comando de Carlos Alberto de Nóbrega, a atração foi lançada no SBT em 7 de maio de 1987 e, em 2026, comemorou quase quatro décadas de continuidade. A proposição do formato incorpora variados personagens e profissionais do humor que ocupam o famoso banco localizado na praça para participar de cenas com o apresentador. O programa encontra suas raízes no trabalho desenvolvido por Manoel de Nóbrega, progenitor de Carlos Alberto e idealizador de "Praça da Alegria", produção que serviu de inspiração para a versão difundida pelo SBT.
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