- Pela Redação
- 29/05/2023
O ator Bruno Fagundes manifestou discordância com a decisão de incluir o influenciador Juliano Floss no elenco de "Paraíso Perdido", série inédita prevista para o Globoplay em 2027. A posição foi tornada pública nas redes sociais após Sérgio Goldenberg, autor da produção, justificar a escolha ressaltando o desempenho de Floss nos testes de seleção e seu carisma natural.
Em sua manifestação, Bruno argumentou que atores profissionais estariam perdendo oportunidades para celebridades da internet. Reconhecendo que a presença de influenciadores em dramas televisivos não é inédita e que a lógica das celebridades movimenta economicamente o setor, o intérprete questionou se popularidade e carisma seriam realmente suficientes para construir uma performance complexa, capaz de explorar diferentes dimensões de um texto dramático.
"Para mim, número não garante sucesso, carisma não sustenta uma cena, não é bastante para trazer autenticidade ao papel", expressou o ator, enfatizando que "experiência e formação técnica" são indispensáveis para atingir camadas mais profundas de um personagem. Ainda assim, Bruno ponderou que profissionais sem trajetória consolidada podem surpreender positivamente e demonstrou esperança de que a produção tenha identificado essas qualidades em Floss.
Na trama, Floss interpretará Heitor Júnior, descendente de Werneck, papel do ator Alexandre Nero, e da personagem Lígia, vivida por Maeve Jinkings. O projeto é co-escrito por George Moura e Sérgio Goldenberg, baseando-se em referências de Nelson Rodrigues. O projeto reunirá também atores como Eduardo Sterblitch e Alanis Guillen no elenco.
A indicação do influenciador gerou reações no segmento artístico desde seu anúncio. O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro (Sated-RJ) também expressa preocupação em julho acerca da contratação, reafirmando a importância de garantir espaço para atores com formação acadêmica consolidada.
Goldenberg, responsável pela redação, reiterou que a decisão decorreu de uma apreciação conjunta das provas realizadas. De acordo com o escritor, Floss "se destacou desde o primeira oportunidade" e demonstrou sintonia imediata com o personagem. Para fundamentar sua escolha, o autor mencionou o cineasta italiano Roberto Rossellini, que historicamente trabalhou com intérpretes sem experiência prévia em obras audiovisuais.
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